Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, tinha medida protetiva e havia denunciado ameaças. Polícia investiga possível feminicídio, enquanto histórico de violência envolvendo o suspeito e uma ex-prefeita ganha repercussão.
A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi assassinada a tiros na noite de segunda-feira, 2 de novembro de 2026, enquanto estava com amigos em um bar no município de Brasiléia, no Acre. O crime, registrado por câmeras de segurança, ganhou novos desdobramentos após a confirmação de que a vítima havia acionado um botão do pânico pouco antes do ataque.
Conforme as informações levantadas pelo Pimenta Virtual, Elyne possuía uma medida protetiva contra o ex-companheiro, o advogado e ex-vereador Francisco Valadares Neto, que passou a ser investigado pela Polícia Civil como possível mandante do assassinato.
A médica trabalhava na rede municipal de saúde de Brasiléia, na Unidade de Saúde Dr. Ricardo Barbosa da Silva, e já havia procurado as autoridades para denunciar ameaças atribuídas ao ex-companheiro. Entre os registros policiais estão ocorrências de 25 de agosto e 11 de setembro deste ano, relacionadas a ameaças e possível descumprimento da medida judicial.
Na noite do crime, Elyne estava sentada na área externa de um estabelecimento quando um homem usando capacete se aproximou e disparou contra ela. A médica foi atingida pelas costas, inclusive na região da cabeça, e morreu no local. O ataque aconteceu diante de outras pessoas, entre elas uma criança.
As imagens de segurança passaram a integrar a investigação, que trabalha com a possibilidade de um crime planejado. A Polícia Civil informou, na terça-feira (3), que identificou o homem apontado como autor dos disparos e realizava diligências para localizá-lo.
Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi o pedido de socorro feito pela vítima momentos antes de morrer.
A Polícia Militar do Acre confirmou que Elyne acionou o botão do pânico de um aplicativo de proteção à mulher, mas informou que não recebeu uma ligação pelo telefone 190 antes do assassinato.
A distinção entre os dois mecanismos é importante: o acionamento do aplicativo representa um pedido de ajuda, mesmo sem contato telefônico direto com a central de emergência.
As autoridades deverão esclarecer o horário exato em que o alerta foi emitido, como a informação chegou aos órgãos responsáveis e quais providências foram adotadas. Segundo as informações divulgadas, não houve tempo suficiente para impedir o ataque.
Enquanto a investigação avançava, também voltou a ser discutido o histórico judicial de Francisco Valadares Neto.
O advogado já havia sido condenado, em novembro de 2017, por ameaçar uma antiga companheira, Fernanda Hassem, que posteriormente se tornou prefeita de Brasiléia. O episódio ocorreu em 2015, quando ela exercia o cargo de vereadora, após o fim do relacionamento entre os dois.
Na ocasião, a Justiça determinou o cumprimento de uma pena que incluiu a prestação gratuita de serviços advocatícios em dez processos.
Esse antecedente passou a receber atenção diante das suspeitas relacionadas à morte da médica. Entretanto, a condenação anterior não comprova qualquer participação de Francisco no assassinato de Elyne, cuja autoria intelectual ainda está sendo investigada.
Fernanda Hassem se manifestou publicamente na terça-feira (3), lamentando a morte da profissional de saúde e prestando solidariedade aos familiares, amigos e pacientes.
A ex-prefeita também cobrou uma investigação rigorosa e defendeu medidas mais eficazes para proteger mulheres ameaçadas, questionando a continuidade de episódios de violência mesmo diante de denúncias e medidas judiciais.
Outro desdobramento ocorreu na manhã de terça-feira, quando Francisco Valadares Neto foi encontrado desacordado em sua residência e encaminhado ao Hospital Regional do Alto Acre. As circunstâncias do atendimento médico não esclarecem sua eventual participação no crime.
O assassinato provocou manifestações de pesar da Prefeitura de Brasiléia, do Conselho Regional de Medicina do Acre e de autoridades estaduais.
O Ministério Público acompanha a investigação, que busca esclarecer tanto a execução do crime quanto a possível participação de outras pessoas em seu planejamento.
Até a última atualização das informações divulgadas na terça-feira (3), não havia conclusão sobre a responsabilidade do ex-companheiro nem confirmação da prisão do homem apontado como autor dos disparos.
O caso permanece sob investigação da Polícia Civil do Acre, que deverá reunir os elementos necessários para esclarecer a motivação do assassinato e as circunstâncias do pedido de socorro feito pela vítima.
Pimenta Virtual – Da Redação
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