Novidades do Pix, Open Banking… veja tendências do sistema bancário para 2021

shutterstock Sistema bancário brasileiro deve se modernizar ainda mais em 2021, com novidades do Pix, open banking e mais

Fintechs, Pix , Open Banking… pouco a pouco o sistema bancário brasileiro vem se digitalizando e, com isso, mudando hábitos dos clientes. Ir à agência para abrir uma conta, falar com gerente para pegar um empréstimo, ou transferir dinheiro na sexta e esperar que o valor seja creditado somente na segunda-feira não é mais necessário. Tudo pode ser feito da palma da mão, com um clique, por meio do celular.

O professor de finanças do Insper, Michael Viriato, comenta que os clientes precisavam dos bancos para, basicamente, três coisas: pagamentos e transferências; ter acesso a crédito; e fazer investimentos. Mas, com a modernização das operações, a relação de dependência tem diminuído.

“Nos últimos anos, várias corretoras surgiram, atraindo a atenção dos investidores que deixaram, então, de direcionar atenção aos bancos tradicionais. Essas grandes instituições começaram a perder a parcela dos investimentos. Agora, com o Pix, correm risco de perder transferências e pagamentos. Só o crédito que é mais difícil descentralizar”, analisa o professor. “Essa concentração que existia favorecia aos bancos ter ganhos maiores. Com a elevação da competição, há uma pressão nos resultados. Mas, para as pessoas, é muito positivo porque elas passam a ter acesso a mais produtos e serviços, de forma mais barata”, explica.

A consequência é uma mudança no modelo de negócio: menor investimento em atendimento presencial e maior, em tecnologia. Basta andar pelas ruas para observar que inúmeras  agências bancárias desapareceram. De acordo com dados do Banco Central, entre 2016 e 2020, o Bradesco foi a instituição que encerrou mais agências, fechando 1.912 nesse período. Em seguida, aparece o Banco do Brasil , que fechou 1.070 agências; o Itaú , com 625 encerramentos e a Caixa , com 40. Na contramão, o Santander abriu 113 novas unidades.

“Desde que o Banco Central eliminou a necessidade da pessoa ter que estar presente para concluir processos, como uma abertura de conta, diversos serviços passaram a ser online. Vários bancos digitais não têm uma agência sequer”, diz Viriato: “Assim como muitos clientes deixaram de ir às agências, outros hábitos vão cair em desuso. Hoje, todo mundo quer um cartão black porque é sinônimo de status. As pessoas até se sujeitam a pagar taxas por isso. Mas, em um futuro breve, não vão mais usar o plástico… tudo será feito pelo celular. Vai acontecer com o cartão de crédito o mesmo que aconteceu com a linha telefônica fixa. Muitos consumidores vão abrir mão”.

Para o líder da área financeira da consultoria Bip, Luiz Fabbrine, o uso de caixa eletrônico  para realizar saque em dinheiro também vai cair em desuso. Ele será substituído pelo saque em lojas varejistas, e o usuário poderá receber o salário na carteira digital de uma empresa de entrega de comida, por exemplo. Além disso, com maior utilização de meios digitais de pagamento, transações em dinheiro físico tendem a diminuir.

“As inovações tecnológicas no sistema financeiro vão gerar uma forte aceleração do movimento de bancarização no Brasil. O Brasil ainda tem cerca de 36 milhões de pessoas fora do sistema bancário”, lembra Fabbrine.

O economista e professor do Ibmec RJ, Filipe Pires, acredita que toda essa mudança ainda deve demorar algum tempo para se concretizar. Para ele, a adoção em larga escala das modernidades tende a ser mais difícil porque o brasileiro é conservador.

“Há uma aceleração da digitalização , mas ainda existem muitos gargalos. Somos um país de proporções continentais, com condição díspare social. O preço da internet móvel, por exemplo, ainda é caro. Então não posso dizer que as pessoas mais pobres vão adotar o Pix como principal meio para transferência. É algo que leva tempo”, opina.

O Banco Central afirma que a digitalização tem potencial de ampliar a inclusão financeira e a oferta de serviços financeiros. Segundo o órgão, hoje, praticamente todas as necessidades financeiras básicas podem ser atendidas por meio digital, independentemente da existência de ponto físico de atendimento de uma instituição.

“Nos últimos anos tem havido uma acelerada digitalização da economia, em especial em decorrência da popularização dos smartphones. Nesse cenário, o Banco Central vem trabalhando em várias medidas para a ampliação da oferta de serviços e produtos por meio digital e cada vez mais convenientes ao cidadão, mantendo, por outro, a segurança. Entre essas medidas estão inseridas o Pix e o Open Banking . Por sua vez, as instituições participantes do sistema financeiro vêm investindo na melhoria de seus aplicativos e no atendimento remoto”, disse em nota.

Tendências para 2021

1.Utilização do Pix para  pagamentos de contas de contas de consumo e impostos ;

2. Pagamento por aproximação do celular (pagamento sem contato) principalmente por  QR codes , para os códigos padronizados que permitem que os usuários façam os pagamentos por diferentes instituições financeiras;

3.  Pix agendado : esse serviço, que ainda será lançado pelo Banco Central, irá permitir pagamentos com garantia de liquidação pela instituição (semelhante cheque especial);

4.  Saque em dinheiro em lojas varejistas : o usuário poderá receber o salário em conta de pagamento e-Wallet de uma empresa de entrega de comida, por exemplo, e realizar o saque em espécie no varejo.

5.  Ofertas customizadas para clientes : com o open banking e a partir da autorização do compartilhamento de dados, as tecnologias estarão padronizadas entre as instituições para oferecerem serviços personalizados para clientes.

Fonte: ECONOMIA.IG.COM.BR