Cinco eleições que marcaram 2021

Como você se sentiu com essa matéria?

Angela Merkel e seu sucessor, Olaf Scholz: fim de uma era na AlemanhaAngela Merkel e seu sucessor, Olaf Scholz: fim de uma era na Alemanha| Foto: EFE/Clemens BilanOuça este conteúdo

Com o segundo ano da pandemia de Covid-19 desafiando gestores em todos os níveis de poder, milhões de pessoas foram às urnas no ano que terminou nesta sexta-feira em processos eleitorais em que temas como combate ao novo coronavírus e questões climáticas, econômicas e sociais tiveram peso decisivo.

Enquanto na América do Sul a polarização política se fez sentir em disputas acirradas, em Israel e na Alemanha, democracias parlamentaristas, líderes de longa data deixaram o poder. Porém, na Nicarágua e em outras partes do mundo, a mão pesada de regimes repressivos garantiu que nada fosse mudado e que a democracia continuasse restrita ao discurso de quem apenas busca se perpetuar no poder. Confira algumas das eleições mais marcantes de 2021:

Israel

As eleições parlamentares em Israel, realizadas em março e que levaram a formação de um novo governo em junho, puseram fim a uma crise política de mais de dois anos.

O Likud, partido do então primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, foi o mais votado em março, mas não conseguiu formar um governo. Os oposicionistas Yair Lapid, líder do partido centrista secular Yesh Atid, e Naftali Bennett, da aliança de direita Yamina, anunciaram um acordo uma hora antes do fim do prazo – sem essa coalizão, seria necessária uma nova eleição, a quinta desde abril de 2019.

No acordo que pôs fim à gestão de 12 anos de Netanyahu, Bennett será o primeiro-ministro de Israel até 2023, enquanto Lapid ficará à frente do Executivo durante os dois últimos anos do mandato.

Alemanha

Outra democracia parlamentarista que viu chegar ao fim uma era de mais de uma década foi a maior economia da Europa.

Em dezembro, Olaf Scholz, líder do Partido Social Democrata (SPD), tornou-se chanceler alemão após 16 anos de Angela Merkel no poder. Em setembro, a sigla de Scholz havia vencido as eleições parlamentares alemãs com 25,7% dos votos, uma margem estreita sobre a aliança União Democrata-Cristã/União Social-Cristã (CDU/CSU) de Merkel, liderada por Armin Laschet, que obteve 24,1% dos votos.

Nos meses seguintes, o ex-prefeito de Hamburgo formou uma coalizão com os partidos Verde e Democrático Liberal (FDP) para governar a Alemanha pelos próximos quatro anos.

Nicarágua

Num ano em que processos eleitorais na Rússia (para a Duma, a câmara baixa do parlamento), Venezuela (locais e regionais) e Hong Kong (para a assembleia legislativa) foram condenados internacionalmente pelas restrições a participantes e indícios de fraudes, a reeleição do ditador Daniel Ortega para um quinto mandato de cinco anos na Nicarágua, o quarto consecutivo, chamou a atenção não só pelas costumeiras prisões de opositores e ausência de observadores, mas por suas consequências.

A Nicarágua deixou a Organização dos Estados Americanos (OEA) após esta criticar o processo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, proibiu a entrada no país de Ortega e outros integrantes do governo do país centro-americano e Manágua deixou de reconhecer Taiwan diplomaticamente, o que sinaliza uma aproximação maior com a China.

Houve constrangimento no Brasil, também: o PT retirou do ar uma nota parabenizando o ditador e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou por que Angela Merkel “pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não?”.

Argentina

Se eleições em meio de mandato, como ocorre nos Estados Unidos, indicam perspectivas ruins para um presidente que busca a reeleição, as eleições parlamentares na Argentina (que renovaram metade da Câmara e um terço do Senado), realizadas em novembro, apontaram que o peronista Alberto Fernández terá dificuldades para obter um segundo mandato em 2023.

A coalizão Juntos pela Mudança, do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019), venceu a governista Frente de Todos na maior parte da Argentina. O peronismo perdeu a maioria no Senado pela primeira vez desde a redemocratização, em 1983, e na Câmara agora tem 118 assentos, apenas dois a mais que a Juntos.

Apesar do investimento em políticas sociais para mitigar a crise gerada pela pandemia de Covid-19 e da perspectiva de crescimento econômico de 9% este ano, a inflação acumulada nos primeiros 11 meses foi de 45,4% na Argentina (enquanto a projeção do governo para 2021 inteiro era de 29%) e 43,8% da população urbana vive na pobreza – em 2019, no pré-pandemia, o patamar estava em 39,8%.

Chile

Em dezembro, o ex-líder estudantil Gabriel Boric “desempatou” para a esquerda o placar das eleições presidenciais na América do Sul em 2021: com uma vitória de 12 pontos percentuais sobre o advogado conservador José Antonio Kast, ele se tornou o presidente mais jovem da história chilena (tem 35 anos) no mesmo ano em que o conservador Guillermo Lasso foi eleito no Equador e o esquerdista Pedro Castillo venceu no Peru.

Dizendo-se defensor de um modelo de bem-estar social, Boric terá que driblar a desconfiança do mercado e pacificar o país, cuja vida pública vem abalada desde as manifestações sociais de 2019 (nas quais obteve projeção), que levaram à eleição de uma assembleia constituinte. A proposta de nova constituição será votada em plebiscito no primeiro ano de mandato do presidente esquerdista.

Deixe sua opinião

Como você se sentiu com essa matéria?

Veja mais matérias que causaram reações nos leitoresAtualizado às

Encontrou algo errado na matéria?comunique errosSobre a Gazeta do PovoxSobre a Gazeta do Povo

Fonte: GAZETADOPOVO.COM.BR