Fernández pede investigação sobre suposto uso de serviço de inteligência por Macri

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Presidente da Argentina alega que há indícios de que houve espionagem ilegal e perseguições judiciais contra sindicalistas e opositores durante mandato de seu antecessorPresidente da Argentina alega que há indícios de que houve espionagem ilegal e perseguições judiciais contra sindicalistas e opositores durante mandato de seu antecessor| Foto: EFE/Juan Ignacio RoncoroniOuça este conteúdo

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, pediu nesta terça-feira (4) que a Justiça do país “investigue sem demora e resolva as várias responsabilidades” pelo suposto uso do serviço de inteligência durante o governo de seu antecessor, Mauricio Macri, para realizar perseguições ilegais.

“A Justiça Federal está investigando uma denúncia que ordenei à Agência Federal de Inteligência que fosse feita para que sejam investigadas ações do governo anterior que promovessem espionagem ilegal e várias perseguições judiciais contra sindicalistas e opositores”, escreveu Fernandez em sua conta no Twitter.

O presidente argentino referiu-se à polêmica aberta na semana passada, quando foram divulgadas declarações dadas em 2017 pelo então ministro do Trabalho da Província de Buenos Aires e agora líder da oposição Marcelo Villegas, nas quais ele criticou a atuação dos sindicalistas e mencionou a possibilidade de estabelecer “uma Gestapo” (polícia secreta oficial da Alemanha Nazista) contra eles.

Em um vídeo apresentado à Justiça pela Agência Federal de Inteligência (AFI), com imagens que pertencem a um arquivo de junho de 2017, Villegas aparece em uma reunião com funcionários do governo e empresários para o suposto planejamento de uma estratégia para promover processos legais contra sindicalistas.

Fernández acrescentou que no início de seu governo ele denunciou “a existência de mais de cem telefones celulares criptografados fornecidos pela AFI que incluíam funcionários públicos nacionais, como também pessoas do Judiciário e parceiros políticos e comerciais da Mudemos”, coalizão com a qual Macri se tornou presidente em 2015.

O presidente argentino afirmou que esses dispositivos foram designados à ex-governadora da província de Buenos Aires María Eugenia Vidal; ao procurador geral da província de Buenos Aires, Julio Conte Grand; a Daniel Angelici, ex-presidente do clube de futebol Boca Juniors; ao ex-ministro da Justiça da província de Buenos Aires Gustavo Ferrari; ao empresário Nicolás Caputo; e ao ex-procurador geral da cidade de Buenos Aires Martín Ocampo, entre outros.

Fernández questionou a existência desses telefones criptografados, entre outras perguntas, e exigiu uma resposta.

“O uso do serviço de inteligência do Estado de direito para realizar espionagem interna e promover a perseguição criminal é definitivamente repugnante e, consequentemente, inadmissível”, disse Fernández.

Macri ainda não se pronunciou sobre essa denúncia, mas no final do ano passado, afirmou que vem sendo vítima de “perseguição política”, ao comentar a decisão de um juiz federal que o tornou réu por espionagem e abuso de autoridade no caso em que é acusado de ter ordenado que fossem espionadas as famílias dos 44 tripulantes do submarino ARA San Juan de la Armada, que foi encontrado afundado, em 2018, um ano após ter desaparecido. A denúncia foi feita pela AFI em 2020, já após o início do governo de Fernández.

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Fonte: GAZETADOPOVO.COM.BR