Adriano Pires oficializa desistência de assumir Petrobras

Geraldo Magela/Agência Senado Adriano Pires desistiu da presidência da Petrobras

O consultor Adriano Pires entregou uma carta ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, nesta segunda-feira, em que oficializa a desistência em assumir a presidência da Petrobras, cargo para o qual ele havia sido indicado na semana passada.

Pires comunicou pela manhã que desistira de assumir o cargo ao Palácio do Planalto, mas o presidente Jair Bolsonaro passou o dia tentando convencê-lo a mudar de ideia. Agora, ele confirma oficialmente que desistiu de assumir o cargo.

A dificuldade de ser aprovado pelo Comitê de Pessoas da Petrobras, que ser reunirá nesta terça-feira, porém, fez Pires desistir do cargo. Além disso, Pires não quis abrir mão da sua empresa de consultoria, o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

No documento, Pires agradece a indicação e reafirma o “compromisso de continuar nessa luta” pelo desenvolvimento do mercado de óleo e gás. Ele afirma, porém, que não poderia conciliar o cargo com as atividades de consultoria que já desempenha, atualmente, para empresas do setor.

Na carta encaminhada ao MME, Pires diz que chegou a iniciar as tratativas para se desvincular do CBIE, mas diz ter percebido que não teria como concluir esse processo em “tão pouco tempo”. Pires precisaria ser aprovado em assembleia de acionistas no dia 13 de abril.

Albuquerque e Pires se reuniram nesta segunda-feira no Rio.

O ministro respondeu a Pires também em carta. Disse que o “elevado conhecimento” de Pires no setor elétrico internacional e brasileiro, “aliado à sua formação sólida acadêmica e profissional, levaram-nos a convidá-lo a contribuir com a Petrobras e com o país”.

“No entanto, em decorrência de suas considerações consignadas na carta encaminhada a esta pasta, compreendemos as razões que o motivaram a declinar da indicação à Presidêncai da Petrobras. Certo de podermos continuar contando com as suas oportunas contribuições, desejamos sucesso em sua vida pessoal e profissional”, diz a carta do MME.

O nome de Pires foi indicado pelo governo na semana passada, no lugar do general da reserva Joaquim Silva e Luna, atual presidente da estatal. A troca foi anunciada em meio à insatisfação do presidente Jair Bolsonaro com a alta do preço dos combustíveis em um ano eleitoral.

Pires é consultor com atuação há mais de duas décadas no setor de óleo e gás. Como mostrou Malu Gaspar, entre os clientes de Pires está o empresário e sócio de distribuidoras de gás Carlos Suarez, que é também amigo de décadas de Landim. Outros clientes do consultor são a associação do setor (Abegás), a Compass, concessionária de gás do empresário Rubens Ometto, e diversas outras empresas do setor.

Não é segredo para o governo, porém, essa relação de Pires. Auxiliares de Bolsonaro, inclusive, diziam que ele foi escolhido por conta desse currículo.

A relação do presidente do Flamengo, Rodrigo Landim, com Suarez também foi o que levou ele a desistir do cargo de presidente do Conselho de Administração da estatal

Para assumir a Petrobras, Pires também precisaria contornar uma exigência considerada difícil por ele. Pela legislação, o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), que ele preside, não poderia ficar sob o comando de seu filho, Pedro Rodrigues Pires, hoje sócio-diretor do empreendimento. A Lei das Estatais veda que executivos dessas empresas tenham parentes em empreendimentos concorrentes.

Fundado em 2000, o CBIE se apresenta como uma consultoria especializada em regulação e assuntos estratégicos em energia. Nos quadros da empresa consta Pedro Rodrigues Pires, filho de Adriano Pires, como sócio diretor.

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O CBIE é uma empresa familiar. Por isso, Pires teria que vender ou encerrar a empresa para assumir a Petrobras, para não haver qualquer relação entre ele e a companhia. É uma situação diferente de outros executivos que já entraram em estatais, que não eram donos de grandes empresas.

Pires disse a interlocutores que abrir mão do CBIE neste momento seria um obstáculo difícil para ele superar.

O Ministério Público chegou a pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) que apure se há conflito de interesse na indicação de Adriano Pires. Isso porque, conforme argumenta o MP, Pires está há mais de 20 anos à frente do CBIE.

Como mostrou Malu Gaspar, entre os clientes de Pires está o empresário e sócio de distribuidoras de gás Carlos Suarez, que é também amigo de décadas de Landim. Outros clientes do consultor são a associação do setor (Abegás), a Compass, concessionária de gás do empresário Rubens Ometto, e diversas outras empresas do setor.

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Em conversas com auxiliares no domingo e nesta segunda-feira, Bolsonaro atribuiu a supostos “inimigos” que estão na Petrobras os obstáculos criados para Pires assumir o cargo. Esses obstáculos deixaram Bolsonaro irritado e o presidente não queria dar o braço a torcer.

Nas conversas, Bolsonaro reclamou que teria, na sua visão, de escolher o presidente da Petrobras. E afirmado que Pires é qualificado para o cargo. Em entrevista ao GLOBO na semana passada, Albuquerque disse que Adriano Pires era a pessoa mais indicada para estar à frente da Petrobras neste momento.

Leia a íntegra da carta de Adriano Pires:

Foi com muito orgulho, senhor ministro, que recebi seu convite para assumir a Presidência da Petrobras. Com mais de 30 anos de vida dedicados ao setor de Óleo e Gás, comecei a trabalhar as condições para cumprir a missão que me foi dada. Vi nessa missão a certeza de poder ajudar a Companhia e o país a enfrentar a atual conjuntura de turbulência e incerteza no cenário mundial.

Senti-me confiante porque constatei o alinhamento de visões em relação ao papel da Companhia neste momento.

Ficou claro para mim que não poderia conciliar meu trabalho de consultor com o exercício da Presidência da Petrobras. Iniciei imediatamente os procedimentos para me desligar do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria que fundei há mais de 20 anos e hoje dirijo em sociedade com meu filho. Ao longo do processo, porém, percebi que infelizmente não tenho condições de fazê-lo em tão pouco tempo.

E por isso, senhor Ministro, que sou obrigado a declinar de tão honroso convite. Agradeço imensamente a V.Exa e ao Senhor Presidente, Jair Messias Bolsonaro, pela confiança depositada em mim, para tão importante missão, e pela deferência e respeito com que fui tratado por V.Excias e por esse Governo.

Ao longo de minha carreira, sempre lutei pelo desenvolvimento do mercado brasileiro de Oleo e Gas. Venho defendendo publicamente a importância de regras de mercado e do aumento da competição, em prol do consumidor e da sociedade, do crescimento do Pars e do incentivo aos investimentos.

Para concluir, reafirmo aqui o compromisso de continuar nessa luta, que e em favor do Brasil e votos de continuado sucesso na gestão do nosso Presidente Bolsonaro em favor do povo brasileiro.

Fonte: ECONOMIA.IG.COM.BR