Na contramão do país, bares e restaurantes têm deflação em capitais

Alexandre Cassiano / Agência O Globo Buscando evitar a perda de movimento, bares não repassam aumentos dos preços aos clientes

O IPCA-15  divulgado nesta quarta-feira (27) mostrou um descolamento do preço praticado em bares e restaurantes em relação ao aumento da inflação no país, tendência nos últimos anos. O item alimentação fora do domicílio teve aumento de 0,28%, índice muito abaixo da inflação geral, de 1,78% (maior índice para um mês de abril desde 1995). Quando comparado ao aumento de alimentos e bebidas, a diferença é ainda mais gritante. Os principais insumos dos estabelecimentos aumentaram em média 2,25%, quase dez vezes mais do que os preços dos cardápios.

Pressionados pelo baixo faturamento (segundo pesquisa da Abrasel em fevereiro, 38% trabalharam no prejuízo), os estabelecimentos evitam repassar os aumentos nos cardápios, para não perder clientes. E, em alguns casos, chegam a baixar preços para tentar faturar no volume. No Rio de Janeiro, a diferença entre os índices é gritante. Enquanto o índice de inflação na capital fluminense foi de 2,11%, os bares e restaurantes tiveram deflação: -0,44%.

Em São Paulo também houve deflação, com -0,05%. Entre as principais capitais, o maior aumento foi em Belo Horizonte, com 1,25% – mesmo assim, bem aquém da inflação geral.

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“É uma tentativa do empresário de atrair os clientes de volta. Ou segurando o repasse, ou até mesmo baixando os preços, como foi o caso em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Curitiba. Se por um lado isso torna mais vantajoso para o consumidor comer fora de casa, em termos relativos, por outro traz ainda mais pressão para um setor já altamente endividado como o nosso. É um desafio adicional e mostra que o setor precisa de uma política pública específica de ajuda, pois não vem de hoje essa diferença. Nos últimos 12 meses, enquanto a inflação chegou a 12,03%, no nosso setor o índice foi de 6,51%, quase a metade”, diz Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

O índice de inflação ficou abaixo do esperado pelo mercado, mas mesmo assim é a maior variação mensal do indicador desde fevereiro de 2003 (quando registrou 2,19%), além de ser a maior variação para um mês de abril desde 1995 (1,95%).

Para conter a inflação, o Banco Central dá indícios de novo aumento da taxa Selic na próxima semana. Isso traz ainda mais preocupação.

“A Selic é o indexador de contratos de empréstimo, principalmente o Pronampe. A inadimplência do programa já é de 19% no nosso setor e tende a se aprofundar com o aumento da taxa de juros”, afirma Paulo Solmucci.

Fonte: ECONOMIA.IG.COM.BR