Pistoleiros invadem aldeias indígenas Pataxó no sul da Bahia

Pistoleiros invadem aldeias indígenas Pataxó no sul da Bahia

Agência Brasil Pistoleiro invadem aldeias indígenas que reclamam ausência da Funai e da Polícia Federal

A população que vive nas aldeias do Povo Pataxó na Terra Indígena Barra Velha, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, passa por momentos de insegurança e violência. Um grupo de cerca de 25 pistoleiros invadiu e disparou tiros de arma de fogo na direção do moradores. 

O líder indígena Agnaldo Pataxó Hã Hã Hãe, que é coordenador geral do Movimento Unidos dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), disse em reportagem para O GLOBO que os confrontos começaram na tarde desta quarta-feira (17). Com o ataque, cerca de 200 pessoas tiveram que fugir de suas casas. O grupo precisou se esconderna mata para se proteger dos disparos.

A líder indígena Uruba Pataxó, coordenadora regional da Mupoiba, conta que as estradas estão ocupadas por homens armados e as aldeias estão sem alimento. Segundo ela, esses grupos estariam ‘cometendo crimes e culpando a população indígena’

“Nossos parentes foram surpreendidos por esses tiros. Alguns foram atingidos, mas por balas de borracha, então cuidamos com ervas medicinais. Felizmente, ninguém sofreu ferimentos graves. As crianças e os idosos ficaram com medo e fugiram para a mata”. 

“Nós não podemos ir para a cidade, as estradas estão ocupadas. Com isso, as aldeias estão sem alimentação, vivemos assombrados com medo de morrer. Como se não bastasse, eles ainda tentam nos incriminar. Anteontem eles tocaram fogo em um ônibus e falaram que fomos nós”, conta a líder indígena.

A reportagem explica que ‘o clima de tensão na região aumentou desde o dia 25 de junho, quando cerca de 180 pataxós foram expulsos da Fazenda Brasília’.

Na área os indígenas realizavam uma ocupação em protesto. A questão é que a propriedade está dentro de uma área já demarcada como Terra Indígena, porém a homologação do Ministério da Justiça ainda não foi realizada.

A fazenda Brasília faz cerca ‘com diversas comunidades indígenas que estão ao redor da unidade de conservação do Parque do Monte Pascoal’, diz o texto. 

“Com mais de 22 mil hectares, a área, conforme descrição do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), tem “a presença de indígenas desde antes de seu decreto de criação”, em 1961”.

Os indígenas denunciam que ‘a Fazenda Brasília foi, de forma ilegal, arrendada por posseiros e está há cerca de um mês cercada por fazendeiros e pistoleiros armados’.

O local, com mais de mil hectares, estaria sendo desmatado para ceder lugar a pastagens e plantações, conta.

Uruba Pataxó conta que a Polícia Federal não apareceu para prestar apoio aos indígenas. Desde a ocupação, em junho, a Funai não entrou em contato ou tomou providências para saber como estava a situação das famílias.

“Até agora a Polícia Federal nem sequer apareceu para saber dos nossos parentes que estão nas matas. Eles alegam que não há policiamento para ir, pois estão em tempo eleitoral e precisam fazer a segurança dos políticos. Desde a nossa retomada, a Funai não compareceu nem com um telefonema para saber o que está acontecendo. Se depender da Funai, a gente não avança nunca. Essa terra é nossa e nós mesmos estamos demarcando, porque se a gente não fizer, o governo não irá tomar providências”, diz Uruba.

Notas oficiais

– A Polícia Federal confirmou que já instaurou um inquérito e que foram realizadas incursões policiais para colher depoimentos de envolvidos, porém, as investigações correm em sigilo.

– A reportagem de O GLOBO entrou em contato com a Funai, mas ainda não teve retorno sobre o assunto.

– A Secretaria de Segurança Pública afirma que a Polícia Civil começou a ouvir pessoas envolvidas no caso. Até o momento, três pessoas depuseram e os exames periciais para a investigação serão realizados. Ainda de acordo com a pasta, as investigações vão apurar se há o envolvimento de policiais militares no conflito.

*Com informações de O GLOBO

Fonte: ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR