Reprodução/RecordTVSuzane von Richthofen
A morte do médico Miguel Abdala Netto, encontrado sem vida em casa no Campo Belo, no interior de São Paulo, abriu uma disputa imediata pelo controle de um patrimônio estimado em R$ 5 milhões.
Suzane von Richthofen tentou assumir a liberação do corpo e se posicionar como inventariante, mas foi barrada por uma prima do falecido.
O movimento ocorreu poucos dias após o óbito e antes mesmo da conclusão do laudo pericial.
A estratégia jurídica mira a administração do espólio enquanto a Justiça avalia se há testamento, união estável reconhecida e quem, de fato, terá direito à herança.
Disputa começa no IML
O conflito começou ainda na fase mais sensível do pós-morte. Suzane compareceu à 27ª Delegacia de Polícia para solicitar a liberação do corpo do tio, alegando ser a parente consanguínea mais próxima.
A tentativa, no entanto, foi frustrada: Silvia Magnani, prima do médico, já havia realizado o procedimento.
Silvia organizou um enterro discreto em Pirassununga, também no interior de São Paulo, cidade de origem da família. Segundo relato à imprensa, a cerimônia ocorreu sem outros familiares presentes.
Miguel Abdala Netto era irmão de Marísia von Richthofen e rompeu relações com Suzane após o assassinato do casal Richthofen, em 2002.
Foi ele quem atuou para que a sobrinha fosse declarada indigna e excluída da herança dos pais, decisão confirmada pela Justiça em 2015, que destinou cerca de R$ 10 milhões exclusivamente a Andreas Richthofen.
A morte do médico, sem filhos, pais ou irmãos vivos, é debate antigo no país sobre sucessório em outro patamar: a herança não é das vítimas do crime, mas de um terceiro.
O ponto jurídico que muda tudo e Andreas fora de debate
Pelo Código Civil, a chamada indignidade sucessória só se aplica quando o herdeiro comete crime contra o autor da herança.
Como Miguel não foi vítima direta de Suzane, não há impedimento automático para que ela seja chamada à sucessão, caso não exista testamento válido.
Na linha legal, sobrinhos herdam na ausência de descendentes, ascendentes e cônjuge.
Isso coloca Suzane e Andreas como herdeiros potenciais, enquanto Silvia Magnani tenta comprovar uma união estável de 14 anos com o médico para garantir parte do patrimônio.
Andreas Richthofen, hoje com 38 anos, manteve distância pública do episódio.
Tutor legal do irmão após o crime, Miguel administrou seus bens até a maioridade. Andreas ainda não se pronunciou sobre o caso.
A eventual divisão do espólio dependerá de três fatores centrais: existência de testamento, reconhecimento judicial de união estável e definição de quem administrará os bens até o fim do processo.
O que está em jogo agora
A disputa ainda ocorre em fase preliminar, mas o gesto inicial de Suzane de tentar liberar o corpo e assumir protagonismo administrativo, sinaliza uma estratégia clara: garantir posição formal no processo antes que o mérito da herança seja julgado.
Enquanto o laudo do Instituto Médico Legal (IML) não é concluído e a justiça não se pronuncia.
Fato é que o passado criminal não basta, por si só, para afastar direitos patrimoniais futuros.
Fonte: ECONOMIA.IG.COM.BR

