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Denúncia anônima acendeu alerta para investigação do Banco Master

Denúncia anônima acendeu alerta para investigação do Banco Master

Divulgação Banco MasterA PF foi acionada por meio de uma mensagem anônima enviada ao e-mail institucional do órgão, acompanhada de um arquivo em PDF

As primeiras diligências relacionadas ao caso do Banco Master  se deram através de uma denúncia anônima enviada ao e-mail institucional da Polícia Federal (PF), que acendeu um alerta ao poder público e iniciou a investigação que deflagrou a operação Compliance Zero. As informações constam na decisão assinada pelo ministro Dias Toffoli , relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que fundamentou a autorização para buscas e apreensões realizadas na última quarta-feira (14).

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal recebeu um material que incluía um documento chamado “Informações Banco Master”. Após a análise inicial, os investigadores avaliaram que os dados apresentados eram relevantes e decidiram avançar na apuração. Em manifestação enviada ao STF, a PGR informou que a PF foi acionada por meio de uma mensagem anônima enviada ao e-mail institucional do órgão, acompanhada de um arquivo em PDF com esse título.

Primeiras diligências confirmaram teor da denúncia

Conforme relatado pela Procuradoria-Geral da República, as providências iniciais adotadas pela Polícia Federal confirmaram os elementos descritos na “notitia criminis”, resultando na instauração de inquérito policial e na realização de novas diligências investigativas. A verificação das informações constantes na comunicação eletrônica ocorreu por meio da análise de documentos, do cruzamento de dados e da checagem junto a fontes externas, conforme registrado na manifestação encaminhada ao STF.

PGR identificou indícios de crimes contra o sistema financeiro

De acordo com a PGR, a avaliação preliminar do material reunido apontou a presença de elementos probatórios indicativos da existência de uma estrutura complexa e interligada de relações empresariais e financeiras. O órgão destacou a presença de indícios relevantes da prática de delitos contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre as condutas sob suspeita estão a gestão fraudulenta, a indução de investidores a erro, o uso indevido de informação privilegiada, a manipulação de mercado, bem como possíveis crimes de lavagem de dinheiro e a formação de organização criminosa.

Investigação revelou estrutura empresarial e financeira confusa

O documento registra, ainda, que as apurações identificaram a exploração de fragilidades existentes no mercado de capitais, bem como nos mecanismos de regulação e fiscalização. Conforme destacado pela PGR, teriam sido utilizados fundos de investimento como instrumentos para a circulação de ativos sem liquidez, submetidos a avaliações artificiais, além da realização recorrente de operações entre partes relacionadas. Tais transações estariam sob a influência direta ou indireta de indivíduos vinculados por relações societárias, familiares ou funcionais. Diante desses elementos, o STF autorizou a continuidade e o aprofundamento das investigações.

Entenda o caso Banco Master

A instituição controlada por Daniel Vorcaro teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de dezembro de 2025. A decisão veio após o agravamento da situação financeira do banco, que já operava sob elevado risco de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação de recursos e por uma carteira concentrada em operações consideradas de maior risco.

Nos meses que antecederam a intervenção, o banco tentou alternativas para evitar a liquidação, incluindo negociações para venda do controle. A principal delas envolveu uma proposta do Banco de Brasília (BRB), que acabou não avançando. As tratativas foram interrompidas em meio a questionamentos de órgãos de controle, críticas à falta de transparência, pressões políticas e citações do Banco Master em apurações e investigações em curso, o que aumentou a resistência do mercado a qualquer solução privada.

O alerta entre investidores se intensificou quando a instituição passou a ofertar produtos financeiros com taxas de retorno muito acima da média do mercado, estratégia vista como tentativa de reforçar o caixa em um momento de deterioração financeira. Entre esses produtos, destacavam-se os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que se tornaram o principal instrumento de captação do banco.

Com a liquidação decretada, o Banco Central assumiu a condução do processo, e os credores passaram a depender das regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — no caso dos produtos cobertos — e da ordem legal de pagamento na liquidação para tentar recuperar os valores investidos.

Situação atual

O FGC iniciou neste sábado (17) o recebimento de  pedidos de ressarcimento de investidores que compraram CDBs do Banco Master. A previsão é de que após a solicitação ser aprovada, os credores recebam o pagamento em até dois dias úteis.

Fonte: ECONOMIA.IG.COM.BR

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