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Cobiça de Trump na Groenlândia cria maior tensão desde 2ª Guerra

Cobiça de Trump na Groenlândia cria maior tensão desde 2ª Guerra

Reprodução/InstagramTrump declarou a possibilidade de anexar a Groelândia

Enquanto bombardeava uma capital empobrecida na América do Sul e sequestrava seu presidente, Donald Trump não passou nem perto de ser incomodado pelas grandes potências europeias. Podia transformar Caracas em um campo de golpe que seguiria dormindo o sono dos injustos.

Tirando uma nota aqui e outra ali, com líderes do Velho Continente demonstrando preocupação com o que acontecia do outro lado do Atlântico, o republicano não sofreu qualquer retaliação real. Nem mesmo da China ou da Rússia, em tese os países mais  afetados, indiretamente, pela ofensiva.

O silêncio também reinou quando Trump turbinou os poderes do ICE, a agência norte-americana de perseguição a imigrantes em seu país. Os familiares franceses, ingleses e alemães poderiam dormir tranquilos quanto à segurança de seus filhos em terras estatunidenses. O mesmo não se pode dizer dos asiáticos, africanos e latinos, caçados, confinados e mandados para longe sem saber quando poderão rever seus filhos.

Trump elevou pouco a pouco a fervura da água sem que as nações até então aliadas dessem qualquer toque sobre os perigos relacionados aos delírios autocratas em tempos como este.

Tudo mudou quando a cobiça do republicano chegou perto da vizinhança. E coube ao francês Emmanuel Macron invocar o espírito de Hamlet para avisar que algo cheirava mal no Reino da Dinamarca. Era o cheiro do fogaréu que Trump ameaça levar à Groenlândia, território dinamarquês, para afixar por lá a bandeira de seu país — já tem até imagem da ousadia produzida por ele mesmo via IA.

A justificativa, desta vez, é o desejo de fechar ali a ponta de seu Domo de Ouro, para defender o país de ataques inimigos. As reservas de terras raras seriam só um brinde do pacote.

A anexação ocorreria, se não via assédio comercial, pelo uso da força.

Trumo apresentou o plano enquanto montava seu próprio clube de nações aliadas para desidratar e fazer frente à ONU, a instância que supostamente deveria colocar o pé na mangueira das intenções do republicano. O Brasil já falou que não topa. A França também não. Em retaliação, o chefe da Casa Branca ameaça fazer o cidadão comum norte-americano pagar uma sobretaxa sobre os vinhos franceses.

As armas, até aqui, estão no campo da guerra comercial, mas não é por brincadeira que Macron enviou tropas para a Groenlândia, exigiu respeito e disse que a Europa não gostava de “valentões” em discurso no Fórum Econômico Mundial, que concentra em Davos, na Suíça, os chefes de Estado envolvidos na encrenca.

Essa encrenca tem paralelos da História com H maiúsculo.

Em 1º de setembro de 1939, depois de avançar diversas linhas sem ser incomodado, outro candidato a presidente do mundo precisou ser brecado antes que fosse tarde. Ele apostava que nem o Reino Unido nem a França reagiriam a ousadias como a ocupação, sem qualquer reação militar, da Tchecoslováquia, e as revisões unilaterais do Tratado de Versalhes.

Adolf Hitler só foi parado quando decidiu invadir a Polônia sob o pretexto de se defender e garantir a segurança da Alemanha. O estopim foi um ataque a uma estação de rádio em Berlim promovido por soldados alemães disfarçados de poloneses.

Os invasores achavam que o caminho estava livre. A Polônia, afinal, era militarmente frágil e geograficamente distante dos adversários traumatizados pelos estragos da Primeira Grande Guerra. Eles podem protestar, não lutar, apostava o invasor.

França e Reino Unido disseram que aí já era demais e resolveram pegar em armas.

A Segunda Guerra Mundial começou dois dias depois.

O paralelo acaba aqui. Hitler sonhava em comandar a maior potência econômica e militar do Planeta. Trump já comanda.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

Fonte: ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR

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