Crédito: Feito por I.A.Balança da Realidade
Fiz um vídeo dizendo que, para entender o Brasil de 2026, bastava ouvir a playlist de 1986. Ou seja, tudo continua bem parecido na política nacional:
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Um post compartilhado por Oscar Filho (@oscarfilho)
E bastou uma frase para gerar incômodo:
“A ditadura ficava pra trás e nascia uma democracia”.
Nos comentários, vieram as correções:
“Ditadura não, regime militar”.
Esse debate está longe de ser novo. Há quem, até hoje, trate aquele período como uma revolução. E é aí que a discussão começa a escorregar. Não sobre o que aconteceu, mas sobre como chamar o que aconteceu.
“Ditadura” pesa. “Regime” soa neutro
Só que ditadura não é uma palavra de gosto pessoal. É um conceito com características bem conhecidas: ausência de eleição direta para presidente, concentração de poder, Congresso fechado, censura à imprensa, opositores presos, torturados ou exilados, suspensão de direitos e desmonte do Estado de Direito.
Se essas características estavam presentes em 1964, a pergunta é simples: isso não foi uma ditadura?
O curioso é que há quem negue isso com convicção. E, ao mesmo tempo, diga que vivemos uma ditadura hoje.
Só que uma democracia também tem características claras: eleições regulares, diretas e com alternância de poder, governos escolhidos pelo voto, instituições com autonomia, liberdade de imprensa, crítica e oposição, além da possibilidade de questionar decisões na Justiça.
Problemas existem. Excessos também. E devem ser criticados. Mas casos isolados não definem o sistema inteiro. Pelo contrário, o fato de podermos criticá-los é justamente um dos sinais de que ainda estamos numa democracia.
Se fosse uma ditadura, criticar o poder não seria controverso. Seria proibido.
A gente sequer teria acesso a muitas das informações que hoje circulam livremente. Tudo o que você sabe sobre autoridades, e até sobre parentes delas, chegou até você por meio de uma imprensa que funciona dentro de um ambiente democrático.
Por isso, talvez o problema não esteja nos fatos, mas na forma como escolhemos nomeá-los.
Não estamos discutindo fatos. Estamos disputando narrativas.
E 2026 parece cada vez mais o ano da realidade relativa. Coincidentemente, também é ano eleitoral. Essa combinação não costuma ser tranquila. É, no mínimo, explosiva. Nitroglicerina pura.
Fonte: ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR

