Divulgação/NasaFenômeno El Niño provoca aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pode alterar padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta
O mês de abril deve ter menos dias frios neste ano. A previsão indica temperaturas acima do normal em grande parte do Centro-Sul do Brasil, ao mesmo tempo que o Oceano Pacífico, perto da linha do Equador, está aquecendo aos poucos. Esse aumento de temperatura pode levar ao surgimento do fenômeno El Niño entre o fim do outono e o começo do inverno.
Para este ano, a previsão indica chuva irregular, ou seja, mal distribuída ao longo do mês. No Sudeste, a previsão é de chuva dentro ou acima do normal na maior parte das áreas. No Centro-Oeste, a tendência é de chuva dentro ou abaixo da média em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, embora algumas regiões possam ter pancadas mais fortes.
No Nordeste e no Norte, abril é um período de muita chuva em algumas áreas. Isso acontece por causa de um sistema chamado Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que é uma faixa de nuvens que provoca chuvas frequentes e, às vezes, intensas no norte dessas regiões.
A faixa leste do Nordeste também entra no período mais chuvoso, com risco de volumes altos em cidades como Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e João Pessoa.
No Sul do Brasil, deve chover perto ou acima da média em várias áreas do Paraná e de Santa Catarina, principalmente no litoral. No Rio Grande do Sul, a chuva deve ser maior na metade norte no começo do mês. Já no sul do estado, pode chover menos na primeira metade de abril, com aumento na segunda metade.
Abril não tem um padrão fixo de chuva ou de tempo seco no Rio Grande do Sul, diferente de outras regiões do Brasil. No passado, abril e maio eram meses mais secos. Em Porto Alegre, por exemplo, a média de chuva entre 1961 e 1990 era de 86,1 mm. Já entre 1991 e 2020, essa média subiu para 114,4 mm. Com isso, abril deixou de ser o mês mais seco do ano.
Mesmo com o aumento da chuva nas últimas décadas, abril ainda tem muitos dias de sol. No entanto, as duas maiores enchentes da história de Porto Alegre, em 1941 e 2024, aconteceram em abril, com volumes de chuva muito acima do normal. Esses eventos ocorreram durante períodos de El Niño forte.
El Niño dá seus primeiros sinais
Segundo o boletim mais recente da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a temperatura da superfície do mar na área chamada Niño 3.4 está 0,2°C acima do normal. Essa região é usada como referência para acompanhar fenômenos como El Niño e La Niña . Mesmo ainda estando dentro do padrão considerado normal, esse aumento já indica que o oceano está começando a esquentar.
Em outra área do oceano, chamada Niño 1+2, que fica próxima às costas do Equador e do Peru, o aquecimento é maior, chegando a 1,3°C acima do normal. Nessa região, os especialistas já identificam um fenômeno chamado El Niño Costeiroque afeta mais diretamente os países próximos dali.
Temperaturas agradáveis, mas com pouco frio
Abril é o mês de transição entre o verão, que é mais quente e chuvoso, e o outono, que costuma ser mais seco e com temperaturas mais amenas. Em 2026, o outono começou no dia 20 de março e vai até 21 de junho.
Assim, o mês costuma ter temperaturas equilibradas, sem extremos de calor ou frio. Neste ano, porém, a tendência é de um clima mais quente do que o normal na maior parte do Centro-Sul.
Isso ocorre porque áreas de alta pressão, regiões da atmosfera que dificultam a formação de nuvens, devem predominar sobre o Brasil. Na prática, isso significa menos chuva, menos entrada de ar frio e mais dias de calor. Essas áreas também podem impedir que frentes frias avancem para o interior do país.
A entrada de massas de ar frio deve ser menos frequente, e muitos dias serão influenciados por ar quente. O início do mês deve ser especialmente quente no Sul do país.
A partir da segunda semana, uma massa de ar frio pode chegar ao Rio Grande do Sul, trazendo temperaturas mais amenas, mas sem frio intenso. Ainda assim, existe a possibilidade de uma queda de temperatura mais forte no fim do mês.
Mesmo com o tempo mais quente, abril costuma ter mais ocorrência de nevoeiro e neblina, principalmente durante a madrugada e no começo da manhã. Em alguns dias, a visibilidade pode ficar bastante reduzida.
Embora seja raro, já houve anos com frio intenso em abril, com formação de geada e até neve. Em 1999, por exemplo, nevou no Sul do Brasil devido à chegada de uma forte massa de ar frio, acompanhada de um ciclone que causou ressaca e danos no litoral. Situações parecidas também aconteceram em 2016 e 2023.
De forma geral, abril de 2026 deve ser mais quente na maior parte do país, com chuva irregular no Centro-Sul e volumes elevados no Norte e Nordeste. Também há risco de episódios de chuva forte no litoral do Sul e do Sudeste ao longo do mês.
Fonte: ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR

