Reprodução/Fernando Frazão/Agência BrasilPetrobras confirma vazamento de fluido na Foz do Amazonas.
Depois das altas dos combustíveis, agora o gás de cozinha pode aumentar, impactando diretamente o orçamento das famílias brasileiras. O motivo é que após leilão realizado nesta primeira semana de abril, a Petrobras quer vender o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), com preço superior a 100% das tabelas dos estados e preço do botijão pode “explodir”. O governo federal passa a fiscalizar os preços abusivos.
Paralelamente ao trabalho fiscal da
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ( ANP), o governo busca anular o leilão para impedir que esse sobrepreço chegue as revendas para o consumidor.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT) subiu o tom sobre o assunto e reagiu garantido que o certame será anulado. Segundo ele o leilão não é de encontro as decisões do governo e que a “ordem” era que os preços se mantessem congelados.
Em entrevista a Record Bahia nesta quinta-feira (2), o presidente disse que o leilão foi uma “cretinice” e “bandidagem” e que ocorreu não somente a revelia da União, mas da própria diretoria da Petrobras. Disse ainda que o aumento escalar é injustificado.
“Fizeram um leilão contra a vontade nossa do governo e da presidenta da Petrobras. Foi um diretor que eu nem sei quem é fez esse leilão e aumentou em 100% o ágio, aumentou o preço do gás. E nós não vamos deixar o preço do gás chegar em vocês. A primeira coisa vamos anular o leilão. Ele será anulado”. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
O consumidor: o bolso na mira
O gás de cozinha e considerado item de primeira compra das famílias brasileiras, usado por quase 95% da população e representa até 11% da renda. De acordo com Alexandre Borjaili, presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito do Petróleo ( Asmirg), o preço pode bater a casa dos R$ 150 ou mesmo R$ 200, ainda este ano. Hoje o botijão de 13kg é vendido em média por R$ 110,00.
Fiscalização: força tarefa
Os mecanismos regulatórios do Estado entram em jogo para conter os possíveis efeitos. Além da ANP, o Ministério de Minas e Energia (MME) acionou à Secretaria Nacional do Consumidor ( Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), juntos formam uma força tarefa para identificar, fiscalizar e brecar tentativas de manipulação e abuso de preços no mercado. As ações iniciaram ainda nesta quinta.
O ministro Alexandre Silveira de Minas e Energia afirmou que destacou que o governo está atento ao mercado brasileiro:
“O mundo vive um momento de tensão no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo e exige nossa atenção. No Brasil, não vamos admitir que instabilidades externas sejam usadas como justificativa para práticas abusivas que prejudiquem o consumidor, especialmente quando se trata de um item essencial como o gás de cozinha”. Afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira
Dentre polos que serão fiscalizados, as equipes da ANP já estiveram em duas refinarias: Refinaria Duque de Caxias (REDUC), localizada em Duque de Caxias (RJ) e na Refinaria Gabriel Passos (REGAP), em Betim (MG).
A alta do gás respinga também no programa Gás do Povo em vigência esse ano, que concede o item a famílias de baixa renda. Cerca de 15 milhões de unidades familiares podem ser afetadas, caso o preço não seja contido.
A Petrobras não se posicionou ainda sobre o anúncio do presidente da República e nem sobre as ações conjuntas de contenção.
Fonte: ECONOMIA.IG.COM.BR

