Marcello Casal Jr./Agência BrasilCarteira de trabalho
O número de pessoas desempregadas no Brasil caiu e chegou ao menor nível para um terceiro trimestre desde 2012. Entre julho e setembro de 2026, a taxa de desemprego ficou em 5,2%, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo I nstituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A informação faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), que acompanha a situação do mercado de trabalho no país.
O resultado mostra uma pequena melhora, mas significante em relação aos meses anteriores. No trimestre encerrado no mês de junho, a taxa de desemprego era de 5,4%. Já em comparação com o mesmo período de 2025, quando o índice estava em 5,6%, também houve uma redução.
Em números, o Brasil tinha 5,6 milhões de pessoas sem trabalho entre julho e setembro. Esse total representa 234 mil pessoas a menos em situação de desemprego, uma queda de 4% em relação ao trimestre anterior. Quando comparado ao ano passado, a redução foi de 417 mil pessoas, o equivalente a 6,9%.
Conforme o IBGE, o país chegou a 103,6 milhões de pessoas ocupadas, o maior número registrado desde 2012, quando a pesquisa começou.
O que significa estar ocupado?
Para o IBGE, é considerada ocupada a pessoa que trabalhou pelo menos uma hora durante a semana pesquisada, recebendo dinheiro, mercadorias ou benefícios. Também entram nessa conta as pessoas que ajudam em negócios da família ou que estavam temporariamente afastadas do trabalho.
Nesse total, o número de pessoas trabalhando cresceu 0,6% em relação ao trimestre anterior. Significando que mais 581 mil pessoas entraram no mercado de trabalho. Na comparação com o mesmo período de 2025, o aumento foi de 1,2 milhão de trabalhadores.
Construção civil e setor público se destacam
Entre os setores que ajudaram nesse crescimento está a construção civil, que teve um aumento de 2,8% no número de trabalhadores. Ao todo, foram 210 mil pessoas a mais trabalhando na área durante o trimestre.
DivulgaçãoConstrução civil
Outro dado que chamou a atenção foi o número de empregadores no Brasil, que chegou a 4,5 milhões, também um recorde da pesquisa. Em relação ao trimestre anterior, teve um aumento de 184 mil pessoas, representando uma alta de 4,3%. Já em comparação com o ano passado, o crescimento foi de 6,4%.
O setor público também registrou um número recorde de trabalhadores, chegando a 13,2 milhões de pessoas. O resultado ficou praticamente igual ao trimestre anterior, mas apresentou um crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Representando mais 317 mil trabalhadores.
Apesar dos números positivos, as contratações aconteceram em um ritmo mais lento do que o esperado. De acordo com o analista do IBGE William Kratochwill, uma das possíveis explicações são as incertezas em relação às eleições.
Normalmente, o terceiro trimestre costuma ser um período de maior contratação, já que muitas empresas começam a se preparar para as festas de fim de ano. Porém, em 2026, esse movimento foi um pouco fraco.
Segundo ele, algumas empresas podem ter preferido esperar um pouco mais antes de contratar novos funcionários. Com isso, o crescimento do número de trabalhadores não aconteceu da mesma forma em todos os setores.
Número de trabalhadores com carteira assinada continua alto
Outro ponto importante da pesquisa foi o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que chegou a 39,4 milhões de pessoas. O levantamento não inclui os trabalhadores domésticos nesse resultado.
Esse também é o maior número já registrado pelo IBGE. Mesmo com o recorde, o total ficou estável em relação ao ano passado.
Apesar de o emprego formal continuar em um nível grande no Brasil, não teve um aumento significativo nas contratações com carteira assinada nos últimos meses.
Já no setor público, o número de trabalhadores com carteira assinada apresentou crescimento importante em relação ao trimestre anterior.
Fonte: ECONOMIA.IG.COM.BR

