Rompimento com os pais: como perceber que essa relação não é saudável

Rompimento com os pais: como perceber que essa relação não é saudável

Reprodução/Globo/SBT – 20.08.2023 Larissa Manoela rompeu com os pais por questões financeiras

Não se fala de outra coisa. O rompimento de Larissa Manoela com os pais parece uma novela da vida real, com a exposição pública dos problemas financeiros que levaram ao fim da relação dela com a famílila. O  rompimento com os pais pode se dar por diferentes questões, financeira – como a da atriz, por não aceitarem o cônjuge,  por serem pais tóxicos, por questões diversas como política ou religião.

Como amadurecer esta ideia para não gerar arrependimentos, quando perceber que essa relação não é mais saudável…e o contrário, quando quer se reaproximar, lógico que não há uma receita pronta, mas o que deve ser levado em conta? 

Gabriela Luxo, psicóloga, mestre e doutora em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Fundadora da Clínica Diálogo Positivo, diz que o primeiro ponto é pensarmos quais são as razões mais comuns que levam aos filhos romperem com os pais.

“Muitas vezes isso acontece por algum tipo de abuso do pai ou da mãe, seja ele emocional, verbal, físico, sexual ou até mesmo a combinação entre eles, que pode ter acontecido no passado ou no presente. A pessoa pode ter vivenciado alguma coisa na infância ou na adolescência, não ter conseguido elaborar bem e na vida adulta adota o rompimento como uma forma de solução”, analisa.

Outro ponto que pode acontecer também é o divórcio desses pais com os filhos mais velhos, em que estes ficam em uma posição de ter que tomar partido de um lado e acabam rompendo com a outra pessoa.

“O que nós precisamos pensar é o seguinte: é muito difícil nós mensurarmos qual que é um rompimento justificável e qual é um rompimento injustificável, porque cada história é única, cada um tem uma vivência, cada um lida de uma forma com a mesma situação. Se eu tenho dois filhos dentro de uma casa com os mesmos pais expostos às mesmas situações, cada um pode ter visões completamente diferentes, porque cada um tem a sua personalidade, as suas influências ambientais, então isso muda de pessoa para pessoa. Então é muito difícil nós mensurarmos aí o que é o certo e o que é errado, qual é o momento certo de romper e qual não é”, diz a terapeuta.

Por isso, continua Gabriela Luxo, a melhor proposta é o processo de psicoterapia para essa pessoa se conhecer e entender, então, quais são as questões que ela pode vir elaborar, o que ela pode fazer para lidar melhor com um problema que ela está vivenciando.

“Um outro ponto também é nós diferenciarmos o rompimento com os pais de outras questões problemáticas que possam acontecer nas famílias, como disputas familiares, situações de conflitos, relações emocionalmente distantes, isso é diferente do rompimento. Por que é diferente? Porque essas situações de brigas, estresse, as pessoas ainda seguem em contato umas com as outras, e no caso do rompimento, a pessoa não tem mais o contato”, analisa.

Um outro ponto importante é pensarmos nas consequências do rompimento, porque hoje nós temos uma vida muito mais fácil do que no passado, com uma facilidade maior de mudar de cidade, de estado, de país, de trabalhar online, de ter as informações rápidas e fáceis, mas pode trazer consequências emocionais para todos os envolvidos se isso for feito de uma forma que não tenha um acompanhamento, principalmente psicológico.

“A pessoa perde aquele amparo, aquele apoio, ela perde uma referência de tradição familiar, de valores, moral e ética, que são importantes para a construção do ser humano enquanto sociedade, e também pensando na construção que aqueles filhos farão dos seus familiares, das suas próximas gerações, você acaba rompendo ali, então você impede que de repente seus filhos tenham contato com os avós e assim por diante, então é muito importante avaliar todos esses pontos para pensar então se vale a pena mesmo chegar nesse ponto do rompimento”, diz a especialista. 

Ao romper, é comum a pessoa relatar uma melhora na saúde mental, uma sensação de uma maior liberdade, porque ela se distanciou daquilo que era entre aspas um problema para ela, mas essa decisão pode gerar sentimentos de instabilidade, de estresse, de humilhação. “Então, é interessante pensarmos no rompimento ativo como algo diferente do que perder alguém por uma doença, por alguma situação de velhice, etc.”

Por fim, o rompimento acaba sustentando esse individualismo que nós estamos vendo em várias culturas do mundo todo, principalmente após a pandemia, onde as pessoas tiveram que aprender a serem sozinhas, a ficarem nos seus mundos, trabalharem das suas casas, sem terem uma interação social.

“Então é muito importante que a gente não desista de tentar superar esses conflitos, principalmente os que estão relacionados a diferenças políticas ou de valores. E os que são mais traumáticos, como comportamentos abusivos e prejudiciais, merecem uma atenção especial.”

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Fonte: DELAS.IG.COM.BR