Reprodução/UnsplashAutoexame não substitui mamografia na detecção precoce do câncer
O cuidado com a saúde das mamas vai muito além do autoexame. Especialistas reforçam que, embora tocar e conhecer o próprio corpo seja útil, ele não substitui exames de imagem essenciais, como a mamografia, nem consultas médicas periódicas. A detecção precoce do câncer de mama é decisiva para aumentar as chances de cura e reduzir a necessidade de tratamentos agressivos.
Segundo o oncologista Ramon Andrade de Mello, o diagnóstico precoce impacta diretamente o prognóstico da paciente.
“Em estágios iniciais, como o estágio 1, a doença pode ser tratada de forma mais conservadora, muitas vezes com cirurgia apenas, sem necessidade de quimioterapia. Também há maior preservação estética e menos efeitos colaterais”explica o especialista.
Autoexame: alerta ou falsa sensação de segurança?
O autoexame é uma ferramenta útil para a mulher conhecer seu corpo e identificar alterações suspeitas, mas não deve ser a única estratégia de prevenção.
A ginecologista Ana Paula Fabricio lembra que 60% das pacientes que chegam com câncer de mama perceberam primeiro um nódulo ou alteração por meio do autoexame.
“Por isso, ao notar qualquer mudança, a mulher deve procurar avaliação médica imediatamente”reforça.
Entre os sinais de alerta estão: nódulos endurecidos, alterações na pele, secreção pelo mamilo com coloração anormal, dor, coceira ou vermelhidão. Mesmo sem histórico familiar de câncer, essas alterações exigem investigação com mamografia e ultrassom.
Igor Padovesi, especialista em ginecologia, destaca que o autoexame pode confundir algumas mulheres.
“Algumas acreditam que, ao não encontrar nada, estão seguras. Mas muitos cânceres iniciais não são palpáveis e só aparecem em exames de imagem. Por isso, o acompanhamento clínico é indispensável”, diz.
Quando começar os exames e qual a frequência ideal?
As recomendações variam, mas há consenso de que a mamografia deve começar aos 40 anos, com exames anuais, mesmo sem histórico familiar. Para mulheres mais jovens, o ultrassom pode complementar a mamografia, especialmente em mamas densas.
“Embora o risco aumente com a idade, a incidência de câncer de mama tem crescido entre mulheres a partir dos 25 anos. Por isso, em consultórios particulares, muitos médicos solicitam ultrassom anual a partir dos 30 anos”, explica Padovesi.
O autoexame continua sendo um recurso de autoconhecimento e alerta, mas não substitui exames de rastreio e acompanhamento médico regular.
Mamografia, ultrassom e consultas periódicas são os pilares da prevenção e do diagnóstico precoce.
O cuidado contínuo aumenta significativamente as chances de tratamentos menos invasivos e de cura.
Os especialistas citados nesta reportagem foram ouvidos diretamente pela reportagem do iG Delas, em entrevistas concedidas.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

