Reprodução/Freepik (freepik.com) – drobotdeanPerfumes masculinos
Escolher um perfume para os dias quentes exige mais cuidado do que no resto do ano. No verão, ou mesmo em ondas de calor, a elevação da temperatura altera o comportamento da fragrância na pele e intensifica projeção, volatilidade e a percepção das notas ao longo do dia.
Para ser mais assertivo, vale separar os perfumes não apenas por ocasião, mas também por horário e intensidade do calor.
Uma fragrância que funciona bem à noite pode se tornar excessiva sob o sol forte, enquanto perfumes pensados para altas temperaturas tendem a perder impacto em ambientes climatizados.
Neste guia, o iG Deles explica como fazer escolhas mais equilibradas, observando concentração, notas olfativas e a relação do perfume com a pele.
Concentração importa (mas não sozinha)
A concentração do perfume é um fator relevante. Quanto maior a carga de óleos aromáticos, mais expansiva e intensa tende a ser a fragrância. Em dias quentes, esse efeito pode se tornar invasivo, especialmente em ambientes fechados.
Por isso, as concentrações mais indicadas para o verão são eau de cologne e eau de toilette, conhecidas por serem mais leves e arejadas. Elas costumam incomodar menos mesmo quando são termoativadas (isto é, quando o calor da pele aumenta a projeção do perfume).
Ainda assim, isso não significa que os eau de parfum devam ser automaticamente excluídos. Na prática clínica, segundo a dermatologista Cibele Fernandes Leite, a tolerância da pele costuma pesar mais do que a concentração em si.
“A concentração influencia intensidade e fixação, mas a tolerância cutânea está muito mais ligada à barreira da pele. Peles sensíveis ou com histórico de dermatite tendem a reagir pior, independentemente do tipo de fragrância”, afirma.
Em pacientes com pele oleosa, o efeito do calor tende a ser ainda mais perceptível. A combinação de temperatura elevada e maior produção de sebo intensifica a projeção do perfume, o que pode tornar fragrâncias mais concentradas excessivas ao longo do dia.
“Com frequência observo que o Eau de Parfum evolui de forma pesada no calor em peles oleosas. O suor altera a fixação e o aroma pode se tornar enjoativo”, diz a médica.
Notas e famílias olfativas pesam mais que a concentração
No calor, a escolha das notas é decisiva. Um perfume com oud, por exemplo, pode incomodar mesmo em baixa concentração, devido à densidade da matéria-prima. Já fragrâncias bem construídas conseguem manter frescor mesmo em formatos mais concentrados.
Não é necessário memorizar cada nota, mas entender as famílias olfativas ajuda a evitar erros. De forma geral, elas se dividem entre estruturas mais frescas ou mais quentes.
Durante o verão, vale priorizar perfumes em que predominem as seguintes famílias:
Perfumes raramente pertencem a uma única família. O que importa é o conjunto e quais notas prevalecem ao longo da evolução na pele.
Por isso, não é necessário descartar automaticamente perfumes com notas amadeiradas. Alguns ingredientes desse grupo funcionam muito bem em composições frescas. O musk, por exemplo, é amplamente utilizado para transmitir sensação de limpeza e conforto sem pesar.
O dermatologista Flégon David, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que a oleosidade da pele influencia diretamente esse processo.
A maior quantidade de lipídios favorece a retenção das moléculas aromáticas, muitas delas lipossolúveis, prolongando a fixação e ampliando a projeção, especialmente no calor.
“A oleosidade funciona como uma âncora para as moléculas aromáticas, intensificando tanto a fixação quanto a percepção do perfume”, afirma.
Já na pele seca, ocorre o efeito oposto: com menos lipídios disponíveis, a fragrância evapora mais rapidamente, perde projeção e costuma durar menos horas, o que pode exigir reaplicação ao longo do dia.
Ingredientes que funcionam melhor em altas temperaturas
Alguns ingredientes são especialmente adequados para o verão:
A especialista em cosmetologia Talita Bovi, mestre em Engenharia Biomédica, reforça que o verão exige atenção não apenas à fragrância, mas ao contexto de uso. Em ambientes quentes e fechados, perfumes intensos tendem a se amplificar, causando desconforto coletivo.
“No verão, menos é mais. O ideal é que o perfume seja percebido apenas de perto e transmita sensação de frescor e leveza”, orienta.
Ela também alerta para o uso cauteloso de notas muito doces, orientais, ambaradas ou excessivamente densas como baunilha intensa, caramelo, couro, almíscar pesado e oud, que, em altas temperaturas, podem provocar enjoo, dor de cabeça e até desconforto respiratório em pessoas sensíveis.
Entender essas diferenças ajuda não apenas a escolher melhor o perfume no verão, mas também a evitar excessos. No calor, fragrância não deve competir com o ambiente, deve acompanhar o corpo com conforto e leveza.
Fonte: DELES.IG.COM.BR

