Wenderson Araújo/Trilux/Sisterma CNA/SenarCafé
O cheiro de café dificilmente passa despercebido. Ele ocupa espaço, cria atmosfera e desperta memória, seja na cozinha de casa, na rua ou em uma cafeteria.
Na perfumaria masculina, essa força sensorial deixou de ser curiosidade e passou a integrar, de forma consistente, o repertório dos perfumistas, quase sempre longe da reprodução literal da bebida.
Mais do que cheirar a café recém-passado, essa nota aparece nos perfumes como construção olfativa.
Amarga, cremosa, achocolatada ou seca, ela ajuda a dar densidade às fragrâncias e se tornou um recurso frequente para criar perfumes mais envolventes e marcantes.
O que significa a nota de café no perfume
Na perfumaria, o café não é tratado como um ingrediente simples. O objetivo raramente é reproduzir fielmente o aroma da bebida quente.
Em vez disso, os perfumistas trabalham com acordes que evocam diferentes facetas do grão: a torra escura, o amargor seco, a cremosidade de um café com leite ou até nuances que lembram cacau e açúcar queimado.
Essa abordagem mais abstrata permite que a nota se adapte a diferentes propostas. Em algumas composições, o café surge intenso e encorpado, remetendo a grãos torrados.
Em outras, aparece limpo e polido, quase como uma sombra olfativa, funcionando mais como textura do que como protagonista.
Onde o café aparece na pirâmide olfativa
A nota de café costuma ocupar posições centrais na estrutura do perfume. No coração, ela ajuda a definir a identidade da fragrância e se mantém perceptível ao longo do uso.
Já na base, atua como elemento de sustentação, o que contribui para a fixação e para a sensação de profundidade na pele.
As combinações ajudam a moldar seu comportamento. Ao lado de baunilha, fava tonka ou notas adocicadas, o café assume um perfil gourmand e reconfortante.
Com madeiras secas, especiarias ou acordes ambarados, se torna mais sério e masculino, e reduz a doçura e aumentando a elegância.
Em leituras mais modernas, pode até dialogar com notas florais claras, criando contraste e leveza.
Clima, ocasião e evolução na pele
Perfumes com nota de café tendem a funcionar melhor em temperaturas mais baixas. No frio, o amargor e a cremosidade se equilibram melhor, o que evita que o perfume fique pesado ou enjoativo.
Por isso, são escolhas recorrentes para a noite, encontros, eventos sociais ou situações em que a fragrância precisa marcar presença sem ser invasiva.
Na pele, o café raramente se impõe logo de início. A evolução costuma ser gradual, aparecendo com mais clareza conforme o perfume aquece.
Essa característica contribui para a percepção de sofisticação e explica por que a nota é associada a fragrâncias mais sensuais, introspectivas ou elegantes.
Por que o café virou uma nota recorrente
A consolidação do café na perfumaria masculina acompanha uma mudança de gosto.
Há uma busca crescente por perfumes menos óbvios, com mais textura e personalidade, que se desenvolvam ao longo do tempo.
Nesse contexto, o café funciona como poucas notas: é familiar, mas não banal; intenso, sem ser agressivo.
Explorado em versões torradas, cremosas, secas ou até florais, o café deixou de ser tendência pontual e passou a integrar a paleta contemporânea da perfumaria.
Um aroma que, assim como na xícara, funciona melhor quando bem dosado: forte o suficiente para marcar, discreto o bastante para não cansar.
Fonte: DELES.IG.COM.BR

