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Fragrance layering: alquimia ou Frankstein olfativo?

Fragrance layering: alquimia ou Frankstein olfativo?

Imagem gerada por IAHomem passando dois diferentes perfumes

Quando falamos de tendências na perfumaria masculina, poucas são tão polarizadas quanto o chamado “fragrance layering”, ou seja, a sobreposição de fragrâncias.

Para os consumidores modernos, em especial da Geração Z, a busca por exclusividade é um dos pilares para mostrar personalidade, uma espécie de “assinatura única”.

Alinhado a isso, departamentos de marketing de fragrâncias da alta perfumaria tem aproveitado o hype para instigar o cliente a comprar perfumes complementares. 

Um perfumista purista diria que o layering caminha para uma linha tênue entre a criatividade genial e o vandalismo olfativo. E é isso que o iG Deles vai te explicar ao analisar o marketing, a química e a estética. 

“Frankensteins” olfativos?

Um saudosista da perfumaria facilmente diria que é necessário defender a obra. Um perfume bem construído, como grandes clássicos, não é um acidente.

Há uma arquitetura meticulosa empregada nele, para que o cheiro funcione de determinada forma. 

Os perfumistas (os bons) calculam a volatilidade de centenas de moléculas para que, por exemplo, uma saída cítrica dance perfeitamente com o coração floral, antes de caminhar para a base amadeirada. 

Há um risco real de criar um Frankenstein quando fragrâncias são somadas aleatóriamente, a probabilidade de um desastre é grande, e até mesmo técnico:

Colapso da estrutura:  moléculas pesadas de um perfume podem “sufocar” as notas delicadas de outro, criando uma massa amorfa e sem evolução.

Cacofonia química:  certos aldeídos e notas sintéticas (como Calone ou Iso E Super) são dominantes. Misturá-los sem conhecimento pode resultar em acordes metálicos, “sujos” ou que lembram produtos de limpeza (o risco é muito real).

O efeito “Marrom”:  assim como misturar todas as cores de tinta resulta em marrom, misturar perfumes complexos demais (chipres com fougères, por exemplo) geralmente resulta em um cheiro genérico e enjoativo.

A probabilidade de dar errado é maior do que a de dar certo, justamente pela perfumaria ser uma ciência complexa já carregada de armadilhas, até mesmo para os profissionais mais experientes. Porém, há alguns caminhos.

Ser autêntico é válido

Apesar dos tantos contras, é inegável que a perfumaria é subjetiva e deve ser prazerosa.

O layering tem méritos quando usado com inteligência, especialmente na era da perfumaria de nicho minimalista, que acabam gerando um convite à mistura. Isso porque:

Correção de performance:  sabe aquela colônia ou eau de toilette que desaparece em menos de 1 hora (ou até 30 minutos)? Borrifar em maior quantidade está longe de ser a melhor estratégia, porém, aplicar sobre uma base de Iso E Super (uma nota sintética) ou um óleo de almíscar neutro pode aumentar significativamente a longevidade sem alterar de forma drástica o cheiro. 

Contraste intencional: esse é um dos maiores prós, criar uma espécie de tensão entre as notas. Um perfume gourmand (excessivamente doce) pode se tornar mais adulto e sofisticado se “cortado” com uma fragrância seca, com notas como vetiver e couro. 

Assinatura própria:  tem perfumes amplamente populares e que acaba sendo comum demais. O layering é uma espécie de garantia que o cheiro não soará igual ao de um colega de trabalho ou do ex da sua atual.

Como não cometer um desastre?

Bom, agora é a hora de testar algumas coisas com o mínimo de risco possível. Veja algumas dicas:

1) Regra da densidade:

Sempre aplique primeiro o perfume mais pesado que geralmente tem mais notas amadeiradas, com baunilha, oud, resinas, almíscar e etc. Essas moléculas são grandes e fixam na pele.

Em seguida, aplique o perfume mais volátil e que você quer que projete mais, que geralmente tem notas florais, cítricas, aromáticas, frutadas ou aquosas.

Se você fizer na ordem contrária, vai ver o perfume pesado engolindo o mais leve. 

2) Opostos versus complementares:

Veja bem, para não arriscar demais, existem dois tipos de caminhos a serem seguidos: o reforço linear e o contraste.

O primeiro é, por exemplo, colocar rosa com rosa, baunilha com baunilha, e assim por diante. Isso aumenta a potência, mas não gera grandes riscos. É seguro, mas tedioso (convenhamos).

Já no contraste, que é bem perigo, existem opções seguras como rosa e oud (um clássico do Oriente Médio), cítrico e âmbar, ou até mesmo floral branco com couro. 

3) Duelo de “Alphas”:

Não podemos afirmar que é impossível, mas quase. Misturar dois perfumes alphas, que são extremamente pesados, vai gerar uma dor de cabeça nuclear em você e em quem sente. 

Vale a pena? Veredito final

O Fragrance Layering é um dos movimentos mais arriscados quando o assunto é perfumaria, e não é de hoje.

A busca pela auto-expressão é uma iniciativa válida, mas extremamente perigosa.

Respeite as obras-primas complexas e busque entender a pirâmide olfativa antes de recorrer a algo assim.

Fonte: DELES.IG.COM.BR

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