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O câncer de mama segue entre os principais desafios da saúde feminina no Brasil, exigindo atenção contínua, informação de qualidade e acesso aos exames de rastreamento.
Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a detecção precoce ainda é decisiva para reduzir a mortalidade e evitar intervenções mais agressivas. A mamografia permanece como a principal ferramenta para identificar a doença em estágios iniciais, muitas vezes antes do surgimento de qualquer sintoma.
Nesta quinta-feira (05), Dia da Mamografia, a data reforça a importância do exame como estratégia de prevenção e cuidado, destacando o papel da informação na conscientização das mulheres sobre a própria saúde.
Em entrevista ao iG, o ginecologista, cirurgião oncológico e mastologista Dr. Caetano Cardial explica que a mamografia continua sendo o exame com maior respaldo científico na redução da mortalidade pela doença.
O câncer de mama segue entre os principais desafios da saúde feminina no Brasil. O ginecologista, cirurgião oncológico e mastologista Dr. Caetano Cardial explica que a mamografia continua sendo o exame com maior respaldo científico na redução da mortalidade pela doença. pic.twitter.com/uyz9zksu11
— iG (@iG) February 5, 2026
“É o exame com melhor evidência para reduzir a mortalidade do câncer da mama, e o mais sensível para identificar microcalcificações agrupadas, que podem ser sinais iniciais de câncer, e lesões iniciais, muitas vezes não perceptíveis ao toque”, afirma.
Quando fazer o exame
A recomendação geral é que mulheres realizem a mamografia anualmente a partir dos 40 anos, desde que não haja alterações nos resultados. No entanto, o especialista ressalta que essa orientação pode mudar conforme o histórico pessoal e familiar da paciente.
Mulheres consideradas de alto risco, como aquelas com mutações genéticas, parentes de primeiro grau diagnosticados jovens ou histórico de radioterapia torácica, devem iniciar o rastreamento mais cedo e, muitas vezes, associar outros exames ao acompanhamento.
“Para pacientes de alto risco, iniciamos mais cedo e costuma incluir ressonância magnética das mamas anualmente”, explica o médico.
Mitos que ainda afastam mulheres da mamografia
O medo da dor e de possíveis riscos ainda é um dos principais motivos que fazem muitas mulheres adiarem ou evitarem a mamografia.
Segundo Dr. Caetano, existe sim um desconforto causado pela compressão das mamas, mas ele costuma ser breve e tolerável. Além disso, técnicas adequadas, boa orientação da paciente e o agendamento fora do período pré-menstrual ajudam significativamente a reduzir a sensibilidade durante o exame.
Para o especialista, grande parte desse receio está associada a mitos antigos. Entre eles, a crença de que a radiação poderia causar câncer, de que sentir dor significa gravidade ou até de que a compressão poderia “espalhar” um tumor.
“A pressão realizada pela mamografia não é capaz de ‘esmagar’ o tumor e ajudar a espalhar o mesmo”, afirma, reforçando que a dose de radiação utilizada é baixa e segura dentro das indicações médicas.
Outro equívoco comum é acreditar que, na ausência de sintomas, o exame não é necessário. O médico lembra que a maioria dos cânceres de mama em estágio inicial não provoca dor nem alterações visíveis, o que torna o rastreamento ainda mais importante.
Mamografia ou ultrassom?
Em mulheres mais jovens, as mamas tendem a ser mais densas, o que pode dificultar a leitura da mamografia em alguns casos. Nessas situações, o ultrassom costuma ser um exame complementar importante, principalmente quando há sintomas.
Ainda assim, em pacientes jovens que fazem parte de grupos de risco, a mamografia, associada ou não à ressonância magnética, pode ser indicada mesmo antes dos 40 anos.
Mesmo com os avanços tecnológicos, a mamografia passou por mudanças significativas nos últimos anos. Atualmente, os exames são digitais, o que melhora a qualidade das imagens e reduz a pressão exercida sobre as mamas.
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Além disso, a tomossíntese, conhecida como mamografia 3D, permite uma visualização mais detalhada do tecido mamário, especialmente em mulheres com mamas densas, e diminui a necessidade de reconvocações para exames complementares.
Em relação à radiação, Dr. Caetano reforça que o risco é mínimo quando comparado aos benefícios do rastreamento.
“Em rastreamento, o benefício supera amplamente o risco teórico da radiação, especialmente na faixa etária indicada”, explica.
Resultado alterado é sinônimo de câncer?
Receber um resultado alterado costuma gerar ansiedade, mas o especialista esclarece que isso não significa, automaticamente, um diagnóstico de câncer.
A maioria das alterações encontradas nos exames é benigna ou exige apenas acompanhamento. “‘Alterado’ significa: precisa esclarecer, não significa ‘tem câncer’”, pontua.
Quando a doença é diagnosticada precocemente, as perspectivas são muito mais favoráveis. O médico destaca que identificar o câncer em fases iniciais aumenta a possibilidade de tratamentos conservadores, muitas vezes sem a necessidade de retirada da mama, além de elevar significativamente as taxas de cura.
Apesar da importância do rastreamento, o médico orienta que as mulheres fiquem atentas a sinais como nódulo persistente, retração da pele ou do mamilo, secreção espontânea unilateral, feridas que não cicatrizam e alterações no aspecto da pele. Diante de qualquer um desses sinais, a recomendação é procurar avaliação médica.
“Mamografia não é só exame: é estratégia de vida”. Para ele, fazer o exame regularmente é uma forma de cuidar do futuro, escolher o diagnóstico precoce e reduzir o impacto físico e emocional do tratamento.
“O melhor exame é sempre aquele que foi feito a tempo”, conclui.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

