FreePikMenstruação
A relação entre estresse e alterações no ciclo menstrual voltou ao centro das discussões após um relato feito no BBB 26. Durante o confinamento, Jordana contou que a menstruação desceu antes do período esperado, após dias marcados por tensão emocional.
O episódio reforça um debate frequente entre mulheres sobre os efeitos do estresse no funcionamento do corpo e, especialmente, no equilíbrio do ciclo menstrual.
Segundo especialistas, o impacto é real e bem documentado. O ciclo menstrual depende de um equilíbrio delicado entre hormônios controlados pelo cérebro.
Quando o organismo é submetido a situações prolongadas de pressão, como ansiedade, conflitos constantes, privação de sono e sensação de ameaça, esse equilíbrio pode ser afetado, resultando em menstruação antecipada, atrasos ou sangramentos irregulares.
No caso de Jordana, o exemplo ilustra um cenário comum em ambientes de alto estresse. O confinamento reúne fatores que sobrecarregam o organismo: mudanças bruscas de rotina, vigilância constante, carga emocional elevada e poucas oportunidades de descanso.
Nesse contexto, o corpo entra em estado de alerta contínuo, o que pode desregular o chamado eixo hormonal responsável pela ovulação e pelo sangramento menstrual.
Do ponto de vista fisiológico, o estresse estimula a produção de cortisol, hormônio ligado à resposta de sobrevivência. Quando seus níveis permanecem elevados, ele interfere na liberação dos hormônios reprodutivos, podendo encurtar ciclos, impedir a ovulação ou provocar escapes fora do período habitual. Não é raro, nesses casos, que mulheres relatem a impressão de ter menstruado duas vezes no mesmo mês.
Estudos científicos reforçam essa associação. Revisões recentes indicam que o estresse psicológico está ligado a irregularidades no padrão menstrual, tanto na duração do ciclo quanto na intensidade do sangramento. Para os especialistas, muitas vezes a própria menstruação funciona como um sinal de que o corpo está operando além do limite.
Apesar disso, médicos alertam que nem toda alteração deve ser atribuída automaticamente ao estresse. A recomendação é buscar avaliação quando a irregularidade se prolonga por vários ciclos, há ausência de menstruação por mais de dois meses, sangramentos intensos, dores fora do padrão ou sintomas como fraqueza e tontura.
Como explica o ginecologista Vinicius Bassega, “o estresse intenso pode sim adiantar ou atrasar a menstruação, porque o aumento do cortisol desregula a comunicação entre cérebro e ovários, afetando a ovulação e o padrão do sangramento.”
“Mas, quando a irregularidade persiste ou vem acompanhada de dor e sangramento intenso, é fundamental investigar e não atribuir tudo apenas ao estresse”, finaliza.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

