FreePikFalta de conscientização sobre lipedema é problema no combate à doença
A ideia de que apenas pessoas acima do peso desenvolvem doenças relacionadas ao acúmulo de gordura ainda é comum e equivocada. O lipedema, condição crônica que provoca alterações no tecido adiposo, é um exemplo disso.
Apesar de frequentemente ser confundido com obesidade, o problema pode atingir mulheres magras e passar anos sem diagnóstico correto, justamente por causa desse estigma.
O assunto voltou ao centro das discussões após a apresentadora Rafa Brites relatar publicamente que convive com a doença. Nas redes sociais, ela recebeu comentários questionando sua condição por não apresentar sobrepeso, o que a levou a esclarecer como ocorreu a investigação médica.
“O meu vídeo sobre lipedema foi para vários portais, acho ótimo, mas o que eu vejo são várias pessoas indo lá falando que não, que eu não tenho lipedema. Porque eu sou magra. E aí você vê como a nossa sociedade é doente. Por quê? Porque assume que um corpo magro não tem problemas”, afirmou.
“Se eu falo aqui no Instagram que fui diagnosticada com lipedema, eu não tirei da minha cabeça. Eu fiz exame, ultrassom, não é que o cara olhou: ‘Ah, você tem lipedema’. Ultrassom, fiquei mais de duas horas no consultório passando aquele gel na perna e fazendo mapeamentos”, completou.
A cirurgiã plástica Heloise Manfrim explica que a confusão é recorrente, mas incorreta.
“O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo. O fato de a pessoa emagrecer não significa que o lipedema deixou de existir. Ele pode apresentar melhora dos sintomas com a perda de peso, prática de atividade física e acompanhamento adequado, mas isso não significa cura. Trata-se de uma condição que exige acompanhamento contínuo”, esclarece.
De acordo com a médica, diferentemente da obesidade, o lipedema se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente em pernas e quadris, além de dor ao toque e tendência a hematomas.
“Na obesidade, a distribuição de gordura é mais uniforme pelo corpo. Já a gordura do lipedema concentra-se mais nos quadris e pernas, é dolorida e pode levar ao aparecimento de nódulos”, afirma.
“Enquanto na obesidade temos gordura subcutânea e visceral, no lipedema trata-se apenas de gordura subcutânea, que está localizada abaixo da pele e é mais difícil de ser perdida apenas com hábitos saudáveis.”
Ela reforça que o diagnóstico é clínico, feito a partir da avaliação detalhada e, quando necessário, complementado por exames de imagem para descartar outras condições.
“Muitas pacientes são magras e, ainda assim, convivem com os sintomas da doença”, pontua.
Embora seja crônico e não tenha cura, o lipedema pode ser controlado com acompanhamento multidisciplinar.
“A doença é interdisciplinar e seu tratamento envolve, além do cirurgião plástico, profissionais como endocrinologistas, nutricionistas e cirurgiões vasculares. Sabemos que o tratamento cirúrgico com lipoaspiração pode ajudar o paciente, mas deve sempre ser acompanhado do tratamento clínico, conservador, que tem como base quatro pilares: dieta anti-inflamatória, atividade física específica para lipedema, terapia física complexa e protocolos medicamentosos específicos para a doença”, finaliza.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

