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O avanço das mulheres no mercado de trabalho não eliminou um cenário antigo: a responsabilidade quase exclusiva pelos cuidados com a casa e com a família.
Para muitas brasileiras, o fim do expediente formal marca apenas o início de outra sequência de tarefas, que inclui organizar a rotina doméstica, acompanhar a vida escolar dos filhos e administrar demandas familiares.
Essa dinâmica, que atravessa gerações, evidencia desigualdades ainda enraizadas na sociedade. Embora tenham ampliado sua presença em diferentes áreas profissionais, as mulheres continuam assumindo, em grande parte, o funcionamento do lar, um trabalho não remunerado e, muitas vezes, invisibilizado.
A professora de psicologia da UNISUAM, Marceli Pereiras, observa que a maternidade e as atribuições domésticas ainda recaem majoritariamente sobre elas.
“A mulher aprende a se reinventar. Torna-se mais estratégica com o tempo, mais consciente de seus limites e mais exigente consigo mesma”, afirma.
Segundo a especialista, os impactos vão além do cansaço físico. A pressão para desempenhar múltiplos papéis com excelência pode gerar sentimento constante de insuficiência.
A ideia de não estar plenamente presente em nenhuma das frentes, seja profissional, seja familiar, compromete autoestima e segurança.
Em determinados períodos, como após a maternidade ou diante de mudanças na rotina, mulheres qualificadas chegam a questionar sua própria capacidade, mesmo mantendo alto desempenho. O acúmulo de funções, portanto, não representa apenas uma questão de organização do tempo, mas também de saúde emocional.
Para Marceli, reconhecer a habilidade feminina de administrar diferentes demandas é importante, mas insuficiente. O debate precisa avançar para a divisão mais equilibrada de responsabilidades.
Valorizar as conquistas profissionais passa, necessariamente, por enfrentar a desigualdade estrutural que sustenta essa sobrecarga.
Mais do que celebrar datas simbólicas, especialistas defendem políticas e mudanças culturais que garantam condições mais justas. O desafio não está na competência das mulheres, mas na construção de um ambiente em que talento e dedicação não estejam associados à exaustão permanente.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

