Reprodução/freepik Canetas emagrecedoras podem afetar fertilidade feminina
A pressão por um corpo considerado perfeito tem levado muitas mulheres a recorrerem a soluções rápidas para emagrecer e as canetas emagrecedoras estão no centro dessa tendência.
Com a popularização desses medicamentos no Brasil, cresce também o número de alertas sobre compras feitas fora dos canais oficiais, muitas vezes impulsionadas por promessas de resultados imediatos divulgadas nas redes sociais.
A facilidade de acesso, aliada à comparação constante com padrões estéticos irreais, faz com que consumidoras adquiram canetas por meio de indicações informais, marketplaces ou perfis desconhecidos.
O problema é que, nesses casos, não há garantia de procedência, conservação adequada ou sequer de que o produto tenha aprovação da Anvisa, o que amplia significativamente o risco de efeitos adversos graves.
Segundo o advogado Murilo Rebouças Aranha, especialista em Direito Médico e Empresarial, o tema exige atenção especial, sobretudo quando envolve medicamentos injetáveis.
“Estamos falando de medicamentos sensíveis a variações de temperatura, que exigem controle rigoroso de fabricação, transporte e uso. Quando esses cuidados são ignorados, o risco deixa de ser apenas estético e passa a ser potencialmente fatal”, afirma.
Para o especialista, a principal forma de proteção é checar a legalidade do produto antes da compra. A recomendação é optar exclusivamente por farmácias e drogarias regularizadas, com CNPJ, endereço físico, responsável técnico identificado e emissão de nota fiscal. A embalagem também deve trazer informações claras, como lote, validade e fabricante.
“É fundamental desconfiar de canetas manipuladas, fracionadas ou vendidas como versões ‘alternativas’. Esse tipo de prática está entre as principais causas de reações graves”, alerta Murilo .
Além dos riscos à saúde, como uso de substâncias adulteradas, dosagem incorreta ou perda de eficácia por armazenamento inadequado, a compra sem receita médica também traz consequências jurídicas.
A informalidade dificulta identificar responsáveis e reunir provas em caso de dano. “Muitas pessoas só descobrem que adquiriram um medicamento ilícito quando algo já deu errado, o que complica qualquer tentativa de responsabilização”, explica o advogado.
Diante de sintomas como falta de ar, desmaio, reações alérgicas intensas, vômitos persistentes, dores abdominais ou alterações neurológicas, a orientação é interromper imediatamente o uso e buscar atendimento médico.
Levar a caneta e a embalagem ao serviço de saúde, além de relatar corretamente o uso, pode ser decisivo. Também é importante preservar comprovantes de pagamento, anúncios e conversas com vendedores, bem como registrar o evento adverso no VigiMed, sistema oficial de farmacovigilância.
Em situações mais graves, como internação ou complicações sérias, a responsabilidade pode recair sobre diferentes agentes da cadeia de fornecimento.
Fabricantes, importadores, distribuidores e estabelecimentos podem responder quando há falha de segurança ou informação. Profissionais de saúde também podem ser responsabilizados se houver erro de conduta.
“Cada caso precisa de análise técnica, mas é equivocado pensar que não há responsáveis quando algo dá errado”, destaca Murilo .
Nos episódios mais extremos, como óbitos associados ao uso do medicamento, os familiares têm direitos que devem ser avaliados com rapidez.
A correta apuração da causa e a preservação de provas são essenciais para eventual pedido de indenização. “ Além de reparar o dano, essas ações ajudam a retirar produtos irregulares do mercado e a proteger outras mulheres que podem estar expostas ao mesmo risco”, conclui Murilo.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

