Reprodução/freepikCólica menstrual intensa: quando a dor exige atenção médica
Cólicas incapacitantes, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais e dificuldade para engravidar estão entre os principais sinais da endometriose, doença inflamatória crônica que atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 190 milhões de pessoas convivem com a condição.
A doença é caracterizada pelo crescimento de um tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste o interior do útero, em outras partes do corpo. Os focos podem atingir ovários, trompas, peritônio e até órgãos como intestino e bexiga.
“Esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual, gerando inflamação, dor e, em alguns casos, aderências e alterações anatômicas”, explica a ginecologista Amanda Nascimento, do Hospital Badim.
Diagnóstico costuma demorar
Apesar de ser frequente, a endometriose ainda enfrenta um obstáculo comum: o diagnóstico tardio. De acordo com a médica, isso acontece porque muitas mulheres crescem acreditando que sentir dores intensas durante a menstruação faz parte da rotina.
“Isso acontece porque muitos sintomas são normalizados culturalmente, especialmente a cólica intensa. Além disso, a doença pode se manifestar de formas variadas, confundindo-se com alterações gastrointestinais, urinárias ou musculares”, afirma.
Além das cólicas, também podem ocorrer sangramentos irregulares e dor ao evacuar ou urinar durante o período menstrual. Quando a dor é progressiva, impede atividades do dia a dia ou não melhora com medicamentos, a recomendação é procurar um especialista.
Gravidez nem sempre é afetada
Embora a endometriose possa comprometer a fertilidade em alguns casos, a doença não impede todas as mulheres de engravidar.
“Muitas conseguem gestar espontaneamente. No entanto, dependendo da extensão do quadro, pode haver impacto na fertilidade por alterações anatômicas, inflamação pélvica e comprometimento da função ovariana e tubária”, explica Amanda.
A condição é mais frequente entre mulheres de 25 a 40 anos, mas os primeiros sintomas podem surgir ainda na adolescência.
Como é feito o tratamento
O diagnóstico leva em consideração a avaliação clínica, o exame físico e exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética da pelve. Em algumas situações, a videolaparoscopia também pode ser indicada.
O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas, a extensão da doença, a idade da paciente e o desejo de engravidar. As opções incluem medicamentos hormonais, analgésicos, fisioterapia pélvica, mudanças no estilo de vida e acompanhamento multidisciplinar.
A cirurgia é indicada em casos específicos, como dor persistente, comprometimento de órgãos ou infertilidade relacionada à doença.
A ginecologista ressalta que, mesmo após uma cirurgia, a endometriose pode reaparecer. Por isso, o acompanhamento médico contínuo é considerado essencial para controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida das pacientes.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

