BRF Pet/DivulgaçãoDezembro Verde
Apesar do avanço das campanhas de conscientização e do aumento do debate sobre bem-estar animal, o abandono de cães e gatos ainda é uma realidade alarmante no Brasil.
Todos os anos, milhares de animais são deixados para trás, expostos à fome, doenças e violência, enquanto ONGs e protetores independentes tentam dar conta de uma demanda que não para de crescer.
Ao Canal do Pet, a veterinária Mayara Andrade, da Guabi Natural, explicou que combater o abandono exige mudanças culturais, mais planejamento na adoção e a compreensão de que um pet não é descartável.
“Apesar dos avanços na discussão sobre bem-estar animal, ainda existe um descompasso muito grande entre conhecimento e prática. Além da falta de informação e da fiscalização limitada, percebemos no dia a dia que muitas pessoas ainda não entendem o impacto real das suas escolhas”, afirma.
De acordo com a especialista, adotar um pet exige preparo que nem sempre é considerado no momento da decisão.
“Cuidar de um animal exige tempo, recursos financeiros, estabilidade emocional e compromisso, e essa consciência nem sempre está presente no momento da adoção”, completa.
Falta de planejamento está entre os principais fatores
Entre os motivos mais comuns para o abandono, Mayara destaca a falta de planejamento por parte dos tutores.
“Os motivos mais frequentes estão relacionados à falta de preparo e planejamento: questões financeiras, mudanças de rotina, pouco tempo disponível, problemas comportamentais não tratados e até mudanças de moradia”, explica.
Ela reforça que muitos responsáveis deixam de avaliar, antes da adoção, se conseguirão sustentar emocional e financeiramente o animal.
“Um animal de estimação exige cuidados diários, como socialização, alimentação adequada e acompanhamento veterinário. Quando essas demandas não são consideradas, muitos responsáveis acabam optando pelo abandono.”
Impactos diretos nos animais e na saúde pública
Foto: Reprodução/ DivulgaçãoDocumentos devem adotar a expressão “responsável pelo animal”
As consequências do abandono são imediatas e severas para os pets. “Para o animal, o impacto é imediato: medo, estresse, fome, doenças, acidentes e exposição à violência”, afirma a veterinária.
Com o passar do tempo, os danos podem se agravar. “A longo prazo, muitos desenvolvem problemas comportamentais e sequelas físicas, além do medo de ‘confiar nos tutores’ novamente, síndrome ou ansiedade de abandono, entre outras.”
O problema também afeta a saúde pública. “Para a saúde pública, o abandono amplia o número de animais vulneráveis nas ruas, com exposição a doenças graves por falta de vacina, traumas por acidentes e maus-tratos, além disso, sobrecarrega ONGs e gera um ciclo difícil de controlar”, alerta.
Animais em situação de vulnerabilidade
Dados reforçam a dimensão do cenário. “Segundo levantamento da Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação), o Brasil convive com 4,8 milhões de cães e gatos vivendo em situação de vulnerabilidade, e cerca de 201 mil animais estão hoje sob tutela de ONGs e protetores independentes, sendo a maioria cães”, destaca Mayara.
Para ela, os números mostram a urgência de ações permanentes. Esses números ajudam a dimensionar a gravidade do abandono e reforçam a urgência de ações contínuas de prevenção e conscientização.
Segundo a especialista, a população tem papel fundamental na redução dos índices.
“Denunciar maus-tratos sempre que identificar sinais claros, apoiar ONGs locais, incentivar a guarda responsável e, principalmente, conscientizar”, orienta.
Ela ressalta que conversas do dia a dia fazem diferença. “Conversas dentro de casa, nas escolas, no ambiente de trabalho e nas redes sociais, têm muito impacto. Pequenas ações ajudam a transformar a percepção coletiva sobre a responsabilidade de ter um pet.”
Campanhas
FreePikfilhote adoção
Iniciativas como o Dezembro Verde são importantes para manter o debate ativo. “Reforçam informações importantes sobre como identificar e denunciar maus-tratos, lembram a população que abandono é crime e estimulam a adoção responsável”, afirma.
Ela acrescenta que o uso de dados e impacto visual ajuda a sensibilizar quem ainda não compreende a dimensão do problema. Antes de adotar, é preciso avaliar a capacidade de oferecer bem-estar ao animal.
“A chegada de um pet exige mudanças na rotina, planejamento financeiro e capacidade de garantir bem-estar, segurança, saúde, alimentação adequada e interação social”, explica.
Mayara reforça que a decisão deve envolver toda a família. “Cuidar de um pet exige preparo, responsabilidade e adaptação familiar.”
Para apoiar esse processo, a Guabi Natural criou a plataforma “Um pet é pra sempre”, desenvolvida dentro da campanha de Dezembro Verde, onde futuros tutores encontram um quiz que ajuda a avaliar se estão preparados para adotar um animal.
A campanha também ganhou ações visuais em São Paulo. “O principal objetivo é dar visibilidade ao problema do abandono de uma forma impactante”, explica.
As projeções foram pensadas para transformar dados em imagens compreensíveis. “O conceito foi construído a partir de dados reais transformados em metáforas visuais de grande escala, justamente para que as pessoas compreendessem o tamanho do problema de maneira concreta e emocional.”
Frases comparando o número de animais abandonados a prédios, filas e ônibus circularam em pontos estratégicos da cidade. “A ação envolveu dez frases que exploram diferentes perspectivas sobre o abandono”, exibidas na Rua Augusta e no Largo do Batata.
Fonte: CANALDOPET.IG.COM.BR

