FreePikSuperbactéria mortal se espalha após resistir a medicamentos
Um fungo altamente letal e resistente a medicamentos, que já se espalha rapidamente por hospitais dos Estados Unidos, tornou-se uma ameaça ainda maior em escala global. Apesar do cenário preocupante, cientistas apontam que novas linhas de pesquisa podem abrir caminho para tratamentos mais eficazes, segundo uma revisão científica publicada no início de dezembro. As informações são da FOX News.
Conhecido como Candida auris (C. auris), o microrganismo é frequentemente descrito como um “superfungo” por sua capacidade de resistir tanto aos medicamentos antifúngicos quanto ao sistema imunológico humano.
ADAMCandida, mancha fluorescente
Pesquisadores do Hackensack Meridian Center for Discovery and Innovation (CDI) alertam que a disseminação do patógeno tem se intensificado em diversos países, com destaque para ambientes hospitalares.
As conclusões reforçam alertas anteriores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), que classificou o C. auris como uma “ameaça antimicrobiana urgente”, a primeira vez que um fungo recebeu essa designação.
Somente em 2025, cerca de 7 mil casos foram identificados em dezenas de estados norte-americanos. No mundo, o fungo já foi detectado em pelo menos 60 países.
FreePikBactéria
A revisão, publicada na revista Microbiology and Molecular Biology Reviews, explica por que o patógeno é tão difícil de conter e destaca que métodos de diagnóstico ultrapassados e opções terapêuticas limitadas não acompanham a velocidade de evolução do fungo.
O trabalho foi conduzido por Neeraj Chauhan (CDI, Nova Jersey), Anuradha Chowdhary (Universidade de Délhi) e Michail Lionakis, chefe do programa de micologia clínica do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH).
Segundo os autores, é urgente investir no desenvolvimento de novos antifúngicos de amplo espectro, aprimorar testes diagnósticos e avançar em terapias baseadas no sistema imunológico e em vacinas, especialmente para pacientes de alto risco. Eles também defendem o fortalecimento da vigilância epidemiológica, principalmente em países com menos recursos.
WikiCommonsSuperbactéria resistente a antibiótico
Identificado pela primeira vez em 2009, a partir de uma amostra do ouvido de um paciente no Japão, o C. auris rapidamente se espalhou pelo mundo. Nos Estados Unidos, surtos já levaram ao fechamento temporário de unidades de terapia intensiva em alguns hospitais.
O risco é maior entre pacientes gravemente enfermos, especialmente aqueles que utilizam ventiladores mecânicos ou têm o sistema imunológico comprometido. Estimativas indicam que cerca de metade das pessoas infectadas pode morrer.
Diferentemente de outros fungos, o C. auris consegue sobreviver na pele humana e aderir a superfícies hospitalares e equipamentos médicos, o que facilita sua transmissão em ambientes de saúde. Além disso, ele é frequentemente confundido com outras infecções, o que atrasa o início do tratamento e as medidas de controle.
Atualmente, existem apenas quatro grandes classes de medicamentos antifúngicos disponíveis, e o C. auris já demonstrou resistência a vários deles. Embora três novos fármacos tenham sido aprovados ou estejam em fase final de testes, especialistas alertam que o desenvolvimento de medicamentos não acompanha o ritmo de adaptação do patógeno.
Apesar disso, pesquisas recentes trazem sinais de cauteloso otimismo. Em um estudo publicado em dezembro por cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, foi identificada uma possível vulnerabilidade do fungo.
Os pesquisadores descobriram que, durante a infecção, o C. auris ativa genes específicos para captar ferro, nutriente essencial para sua sobrevivência.
Bloquear esse mecanismo pode, no futuro, impedir a progressão da infecção ou permitir o reaproveitamento de medicamentos já existentes. Para os autores do estudo, a descoberta pode representar um “calcanhar de Aquiles” do patógeno.
Enquanto cientistas correm para compreender melhor o comportamento do fungo, autoridades de saúde reforçam que o controle rigoroso de infecções, a detecção rápida e o investimento contínuo em novas terapias são fundamentais. Especialistas também ressaltam que o C. auris não representa ameaça significativa para pessoas saudáveis fora do ambiente hospitalar.
Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

