Reprodução IAO Agente Secreto e BBB dois porta-retratos do Brasil
O brasileiro teve duas novidades essa semana: dois Globos de Ouro, com o filme “O Agente Secreto” e a estreia o Big Brother Brasil. O inédito e o esperado disputando o mesmo espaço nas redes sociais e nas conversas entre amigos e familiares.
De um lado, o cinema atravessando tapetes vermelhos e ganhando as telonas do mundo. Essa semana, os aplausos vieram por duas premiações históricas para o filme: A de melhor ator e a de melhor filme em língua não inglesa na mesma edição do Globo de Ouro. Do outro, a chegada às telinhas da nova edição da casa mais vigiada do país, cheia de protagonistas da vida real, com enredo entremeado por muitas câmeras, provas de resistências, alianças e lágrimas.
Conseguimos celebrar os dois com a mesma intensidade emocional, mas por razões químicas diferentes.
A vitória no cinema ativa algo mais lento e raro: um tipo de serotonina de longo prazo. Aquela que se parece com dignidade coletiva. “Um dos nossos chegou lá”, diz o cérebro, organizando a autoestima nacional. É uma alegria que exige contexto, memória e comparação histórica.
Já o Big Brother é dopamina disfarçada de serotonina, pois vem rápido, colorida, barulhenta e com trilha sonora. Não pede reflexão e aguça o julgamento social, promovendo uma espécie de alivio coletivo. Um organiza o orgulho e outro, a fantasia.
Carl Jung preconiza que projetamos aquilo que gostaríamos de ser ou ter: seja o sucesso cheio de glamour de Wagner Moura ou o destaque instantâneo do participante do reality.
“O Agente Secreto” venceu depois de 27 anos, quando “Central do Brasil” também ganhou na categoria de filme em língua não inglesa e “Big Brother Brasil” chega às telinhas na versão de número 26 com a mesma fórmula: tornar o espectador participante do show.
Dia 22 desse mês saberemos se Kléber Mendonça Filho e sua trupe irão para outro tapete vermelho, o do Oscar, e no dia 21 de abril saberemos quem terá conquistado mais gente aqui do outro lado da telinha, pois é quando acaba o BBB desse ano.
São muitas camadas diante de cultura e do entretenimento e que dizem muito sobre como o brasileiro se enxerga e se sente representado.
Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

