Arquivo pessoalAline, Léo e Rodrigo na praia
Conheci Aline Bertolozzi, Rodrigo Monteiro e Leonardo Bertolozzi Monteiro quando fiz uma apresentação no TEDx, em dezembro de 2025. Aline se apresentou um pouco depois de mim e me fez aplaudir o feito desse trio de pé. Sim, eles acreditam que o futuro é aproveitar o presente, depois de 11 anos de uma história pautada por grandes desafios e vitórias.
Aline estava no meio da gestação quando recebeu o diagnóstico de que o filho tinha uma condição rara, chamada de Síndrome de CHAOS, que é uma obstrução da traqueia. A partir desse instante, a maternidade deixou de ser plano e virou urgência, como ela mesma relata. Prova disso é que foram a segunda família do mundo a fazer uma cirurgia de traqueostomia intrauterina. Depois desse primeiro desafio, Léo nasceu prematuro, com 25 semanas e 630 gramas, passando 11 meses em uma UTI.
“Eu aprendi que qualquer pessoa, em qualquer momento da vida, pode precisar de aparelhos para sobreviver, e isso não precisa ser o fim de uma vida.”
Quando Léo foi para casa, com uma paralisia cerebral grau quatro, dependia de equipamentos e de energia elétrica contínua e por isso, a recomendação era ficar em casa e evitar saídas para reduzir riscos. Mas, o que parecia o fim, se tornou o começo para ele e para muitas outras crianças.
Do anseio de mais tranquilidade, Aline e Rodrigo criaram uma solução improvisada: uma mochila que acomodava os equipamentos que o mantinham vivo. Essa ideia deu origem à OutCare que, desde 2021, é uma forma de oferecer mobilidade a crianças que por conta de condições definitivas ou provisórias de tratamento não podiam viver ao ar livre.
Hoje, a OutCare atende dezenas de crianças eletrodependentes em hospitais públicos e privados, já foi reconhecida com mais de 15 prêmios nacionais e internacionais e é o único case brasileiro da categoria Pharma & Health a chegar ao Shortlist de Cannes.
Arquivo pessoalPrimeira viagem de motorhome da família
A OutCare é uma mochila que contém uma bateria para uma autonomia extra dos aparelhos. Parece simples, mas nunca tinham tido conhecimento de algo que promovesse melhor qualidade de vida para pacientes em tratamento domiciliar.
Em 2023, um hospital particular, o Samaritano Higienópolis, adotou a mochila e acompanhou 50 crianças por um ano. Os resultados foram inéditos. Hoje, o casal faz captação de recursos e doa esse equipamento para crianças que se tratam no SUS.
E o benefício é para toda a família, que passa a ter novas perspectivas também, porque há segurança, autonomia e mobilidade para que todos vivam melhor. Como Aline diz: “Viver cura, então, colocamos vida dentro do tratamento.”
Foram muitas dúvidas, intercorrências, bombas de oxigênio, respiradores, oxímetros e o Léo dando sinais de que a vida dele tem um propósito. Lutou tanto por ela que se negou a ser parado por falta de uma tomada. Aline e Rodrigo representam uma saída para muitas famílias atípicas com filhos eletrodependentes por conta dessa ideia simples, mas revolucionária.
Essa família não conhece o verbo desistir e aplica um outro, que é o compartilhar.
Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

