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Influencer volta a mexer braço: entenda como funciona a poliamina

Influencer volta a mexer braço: entenda como funciona a poliamina

Reprodução/InstagramApós realizar tratamento sem eficiência comprovada, influencer volta a mexer o braço

Após sofrer um grave acidente e perder movimentos de pernas e braços, a nutricionista e influencer digital Flávia Bueno, de 35 anos, publicou um vídeo nas redes sociais onde consegue movimentar o braço direito.

O vídeo foi postado por familiares da influencer na última terça-feira (27), três dias após a mulher iniciar o tratamento com  polilaminina. A família conseguiu uma medida na justiça autorizando o tratamento. Flávia está internada no Hospital Albert Einstein em São Paulo.

A substância está em fase de testes nos humanos e os efeitos dela ainda são estudados pela medicina. Para o Dr. Helton Martins, Mestre em Neurocirurgia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) o movimento do braço da influencer não pode ser atribuído apenas à polilaminina.

“No caso citado da influencer, a melhora do movimento do braço não pode ser atribuída com certeza apenas à polilaminina. Em lesões cervicais recentes, algum grau de recuperação pode ocorrer naturalmente, com o tempo, reabilitação intensiva e cuidados médicos adequados. Já em lesões medulares antigas ou crônicas, as evidências atuais indicam que a polilaminina não apresenta benefício comprovado”, afirma.

A polilaminina é vista como uma possível forma de ajudar o sistema nervoso a se reorganizar após uma lesão e ajudar na recuperação dos nervos, o que é mais difícil na medula espinhal.

“A polilaminina é uma substância ainda em fase experimental, estudada como uma possível forma de ajudar o tecido nervoso a se reorganizar após uma lesão recente da medula espinhal. Ela é aplicada diretamente no local da lesão com a ideia de criar um ambiente mais favorável para a recuperação dos nervos, algo que normalmente é muito difícil na medula espinhal. É importante deixar claro: não é uma cirurgia milagrosa, nem um tratamento já consagrado. Trata-se de uma abordagem que ainda está sendo estudada pela ciência”.

Para o médico ainda não é possível afirmar se o tratamento realmente funciona e que ainda não foi confirmada a eficácia dele em um número maior de pacientes.

“Ainda não é possível afirmar que a polilaminina funciona de forma comprovada. Os estudos existentes ainda não passaram pelas fases 2 e 3, que são aquelas que confirmam eficácia e segurança em um número maior de pacientes; não tiveram comparação randomizada robusta entre pacientes que usaram e que não usaram a substância; e mostram resultados pontuais, principalmente em casos de lesão medular aguda”, ressalta.

A nutricionista sofreu o acidentou no dia 3 de janeiro e teve lesões nas vértebras C3, C4, C5 e C6, o que a deixou sem movimentos nas pernas e no braços, além de perda de sensibilidade.

Flávia conta com mais de 100 mil seguidores no Instagram. Ela ficou conhecida por compartilhar seu estilo de vida e rotina saudável.

Para o Dr. Daniel Oliveira, médico ortopedista especialista em coluna vertebral, o tratamento com a polilaminina pode vir a ser mais comum no futuro, mas para isso ela tem que cumprir todas as etapas dos estudos clínicos.

“Do ponto de vista teórico, existe a possibilidade de que substâncias baseadas em laminina ou em biomateriais semelhantes venham a integrar, no futuro, protocolos terapêuticos para lesões do sistema nervoso central. No entanto, para que isso ocorra, é indispensável o cumprimento rigoroso de todas as etapas da pesquisa clínica, incluindo estudos pré-clínicos consistentes, ensaios clínicos de fase I para avaliação de segurança, fase II para análise de eficácia preliminar e fase III para comparação com tratamentos padrão. Somente após comprovação científica adequada, aprovação pelos órgãos reguladores e consenso da comunidade médica, esse tipo de terapia poderá ser considerado seguro e eficaz. Até que esses critérios sejam atendidos, seu uso deve permanecer restrito a estudos autorizados, com consentimento informado e acompanhamento rigoroso”, explica.

Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

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