Reprodução | TV GloboUso de polilaminina cresceu clinicamente
Na semana, não se fala sobre outra coisa senão os casos surpreendentes de pacientes tetraplégicos que ganharam um novo destino. O uso da polilaminina, uma proteína retirada da placenta que pode devolver movimentos, tem avançado na ciência e na medicina e tem proporcionado esperança para pessoas diagnosticadas com lesões nas medulas vertebrais.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária(Anvisa) chegou a autorizar um estudo clínico da polilaminina com um grupo de voluntários a partir de março deste ano. Caso aprovado após três fases para comprovação de segurança, o medicamento deve estar disponível em até cinco anos.
Outros pacientes não esperaram a aprovação e já solicitaram à Justiça a autorização para iniciar os tratamentos. Ao menos 55 pedidos foram solicitados, e 30 deles foram aprovados.
Tatiana Sampaio, bióloga e pesquisadora da UFRJ, é a responsável pela revolução. Ela iniciou os estudos do uso da medicação há 30 anos. A pesquisa apontou que há 75% de chances de retorno de movimentos em pacientes específicos de lesão.
“Nós conseguimos fazer um estudo clínico pequeno, um estudo clínico piloto, mas sem patrocinador externo. Então, ele foi feito no ambiente acadêmico. É um estudo clínico acadêmico, que é uma coisa muito rara, principalmente de uma droga nova, uma droga injetável, é uma coisa realmente muito rara. E a gente conseguiu fazer por conta de uma conjunção de fatores. Primeiro, uma crença de que o impossível é possível. Depois, pelo trabalho voluntário de muita gente. Então, as pessoas que participaram foram muito dedicadas e a gente não pagava praticamente nada. Quase todo mundo estava trabalhando por amor”, destaca a cientista Tatiana Sampaio em entrevista ao Fantástico.
A polilaminina nada mais significa que uma restauradora de axônios, um elemento de formato comprido do neurônio, que servem como ponte para transmissão de informação de um neurônio para o outro. A cientista explica que, para que esse processo seja realizado, é necessário que o axônio passe por uma “pista” de laminina, o que não acontece com pacientes com lesões.
Tatiana disse então que o uso da polilaminina incentiva o crescimento desse elemento e faz com que o processo retorne a ser realizado.
A descoberta começou a ser fortemente ampliada entre médicos e empresas farmacêuticas. Foi aí que especialistas apostam em tratamentos com injeções em humanos. Ao menos oito pacientes tratados com o uso da polilaminina avançaram com o início do tratamento com a substância, ainda em processo acadêmico.
Como foi o caso do Diogo, que sofreu uma lesão grave ao cair de um prédio. A medula dele se rompeu totalmente e sua família começou a pesquisar sobre o uso do medicamento. Semanas depois do início do tratamento, os resultados começaram a aparecer.
“Eu estava mexendo no celular, não estava conseguindo dormir e alguma coisa me disse: “Mexe o pé”. Comecei a ver um movimento de frente para trás no pé inteiro. Foi um momento de muita emoção, comecei a chorar”, desabafou ele na entrevista.
Atualmente, o Diogo já tem o movimento da bexiga e consegue fazer movimentos que seriam considerados impossíveis. Agora, ele já consegue ter de volta parte da sensibilidade e mexer parte do tronco.
A injeção com a polilaminina é aplicada por cirurgiões ligados à pesquisa, que viajam por todo o Brasil.
Na última semana, quatro pacientes que estava hospitalizados em hospitais, e que receberam a polilaminina, morreram. Segundo a equipe da pesquisa, não há qualquer evidência de ligação entre as mortes e o tratamento.
A Anvisa afirmou ao Fantástico que somente os ensaios clínicos controlados e em todas as fases podem comprovar a segurança e a eficácia do produto. Por enquanto, a substância só foi aplicada a um tipo específico de pacientes, quando não há mais passagem de informação total do cérebro para a medula.
Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

