Reprodução | TV CulturaTatiana Sampaio liderou pesquisa sobre polilaminina
Tatiana Sampaio, a cientista que liderou os estudos sobre o uso da polilaminina, uma proteína retirada da placenta que pode devolver movimento a pacientes com paraplegia, exaltou os resultados com os estudos clínicos com pacientes.
Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) explicou como foi a busca por resultados nos estudos clínicos. A pesquisa apontou que há 75% de chances de retorno de movimentos em pacientes específicos de lesão.
O papel da polilaminia, como explica a pesquisadora, é de tornar o neurônio mais jovem, o mais próximo do processo embrionário, então o objetivo é de devolver esse potencial de crescimento, mas isso precisa de estímulo.
“Eu tenho uma preocupação muito grande quando as pessoas pensam em ampliar o uso da polilaminina para regeneração em lesão cerebral porque aí sim uma conexão errada pode ter uma consequência mais perigosa. Na medula, existe o risco de uma conexão indesejada, mas a ideia é de ter uma fisioterapia para ir conduzindo os passos, de estimular”, explica ela.
“Em relação às melhoras, não foi uma coisa que eu tenha inventado. Isso é um consenso que existe na literatura de lesão medular. Eu trabalhava com ciência básica, depois comecei a trabalhar com células, animais até chegar a possibilidade de trabalhar com estudos clínicos. Quando eu vi [que o uso da polilaminina] não fazia mal para ratos, até chegar aos estudos clínicos com humanos, passaram 3 a 4 anos de discussões”, continua ela.
Ela explica ainda que as pesquisas se basearam em estudos sobre a lesão medular, e que o uso da polilaminina com o conhecimento sobre essa literatura, chegaram ao resultado amplamente divulgado.
“Houve uma discussão muito ampla da literatura de lesão medular. Existe uma classificação de lesões em A, B,C e D. Onde não há preservação nenhuma preservação de condução nervosa, de uma recuperação funcional à uma regeneração até adquirir controle motor é de 10%. Com o uso da polilaminina, fazendo a mesma pergunta, a gente chega a até 75%”, disse a pesquisadora.
Tatiana chegou a criticar as falas que carregam dúvidas sobre os resultados da substância no estudos clínicos e também os resultados técnicos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com a estrutura da UFRJ, em parceria com o Laboratório Cristalia, empresa privada que é a única autorizada a produzir a polilaminina.
“Esse resultado é muito técnico, então a divulgação desse resultado pode trazer expectativas falsas nas pessoas, eu aceito discutir essa questão, mas o resultado técnico, não é passível de questionamento. Alguém que diga que não é confiável os dados de 75%, acho que essa pessoa deveria falar comigo para que ela me apresenta qual a literatura que ela está se baseando. Não tenho dúvidas de que fizemos uma avaliação correta dos dados”, respondeu Tatiana a uma pergunta de jornalista.
Uso compassivo da polilaminina
Em entrevista ainda, a pesquisadora apontou sobre como a judicialização para a autorização de uso compassivo cria barreiras para pesquisa porque cria uma resposta antes mesmo da autorização da Anvisa, que tem concordado com a equipe que vai dar um parecer ágil, mesmo tendo um prazo maior, de 45 dias.
“Não é nada confortável você participar de toda essa organização porque o que está acontecendo não é exatamente uma aceleração da resposta mesmo antes da Anvisa responder, mas um aumento de pedidos de uso compassivo, que é quando iniciativas regulamentadas e que diz que um médico pode demandar pedidos para usar uma medicação de uso experimental em um caso específico”
Isso é logisticamente difícil porque essas pessoas estão em lugares diferentes do Brasil e essas aplicações são feitas por um procedimento invasivo, difícil de fazer. Zelamos para que isso seja feito da melhor forma possível, e que possam ser feitas por quem já tem experiência. temos nos esforçados para que sejam feitas por uma mesma equipe.
Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

