CanvaAntes da seringa, segurança deve vir em primeiro lugar
Procedimentos estéticos injetáveis deixaram de ser tabu e passaram a fazer parte da rotina de cuidados de milhões de pessoas. No entanto, o crescimento acelerado desse mercado trouxe um alerta global: botox, preenchimento e harmonização facial não são procedimentos simples, são intervenções de saúde que exigem formação técnica, ambiente adequado e rigor em biossegurança.
Em 2026, o debate se intensificou no Reino Unido, que enfrentou uma onda de complicações graves após aplicações realizadas por pessoas não habilitadas, incluindo o uso de toxina botulínica falsificada e preenchimentos que resultaram em necrose, infecções e até mortes. A repercussão levou o governo britânico a propor um sistema de licenciamento mais rígido para procedimentos estéticos não cirúrgicos.
No Brasil, onde ainda não existe legislação unificada para regulamentar todos os procedimentos estéticos, cabe aos conselhos profissionais definir limites e autorizações. Embora a maioria das aplicações seja segura quando realizada corretamente, estudos recentes da Universidade de São Paulo (USP) apontam que a harmonização orofacial, quando mal executada, pode causar complicações oculares severas, incluindo cegueira.
Beleza é saúde
Para a cirurgiã-dentista e especialista em Harmonização Orofacial Adriana Fabres, a popularização dos procedimentos criou a falsa impressão de que são intervenções rápidas e simples. “Existe uma banalização muito grande dos injetáveis. Botox e preenchimento não são ajustes cosméticos; são atos que exigem conhecimento profundo de anatomia, técnica e capacidade de reconhecer e tratar intercorrências”, afirma.
Ela reforça que, no Brasil, diferentes categorias da área da saúde podem atuar com estética, mas apenas dentro dos limites definidos pelos seus conselhos. “A autorização não é automática. É preciso capacitação formal, muitas vezes pós-graduação, além de respeitar os limites técnicos da profissão.”
No caso da odontologia, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) permite a atuação em harmonização facial, desde que o profissional tenha formação adequada. “É na pós-graduação que aprendemos anatomia facial aprofundada, farmacologia, biossegurança e como agir em situações de risco. Isso não se adquire em cursos rápidos”, explica.
Quando o risco não aparece no feed
Enquanto redes sociais destacam apenas resultados estéticos, bastidores de complicações graves têm sido relatados em diferentes estados brasileiros. Há casos de perda de tecido facial, embolia e comprometimento da visão após preenchimentos realizados sem planejamento anatômico ou sem estrutura de suporte.
“A complicação pode acontecer até com bons produtos. A diferença está em saber identificar e agir rapidamente”, explica Adriana. “O real perigo é quando a aplicação é feita por alguém sem preparo para reconhecer sinais de alerta ou sem estrutura para intervir.”
Dados recentes da Anvisa reforçam a preocupação: a área de estética e embelezamento lidera o número de notificações de eventos adversos no país. Entre os principais problemas estão produtos sem procedência, ausência de avaliação prévia e realização de procedimentos em locais sem licença sanitária.
O que o paciente deve checar antes de qualquer aplicação
Em um cenário sem regulamentação unificada, especialistas reforçam que a responsabilidade também passa pela escolha consciente do paciente. Adriana Fabres aponta critérios mínimos antes de qualquer procedimento:
Ela reforça que aparência de Instagram não é critério. “Número de seguidores ou fotos de antes e depois não garantem segurança. O que importa é formação, técnica e estrutura para lidar com intercorrências.”
Uma escolha que vai além da estética
Com o crescimento global das complicações, a principal mensagem de especialistas é clara: procedimentos injetáveis são atos de saúde. Exigem avaliação, conhecimento, responsabilidade e ambiente adequado. A estética pode começar com a beleza, mas só se sustenta com segurança.
Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

