Reprodução TikTokA “dieta” que ganhou popularidade nas plataformas acumula milhões de visualizações
Uma prática estranha e perigosa circulou pelas redes sociais nos últimos dias. Apelidada de “plastic eating”, que significa “comendo plástico”, a tendência praticada e postada por jovens chineses consiste em colocar plástico filme na boca antes de mastigar alimentos, como uma forma de “enganar” o corpo e não ingerir as calorias da comida.
Apelidada de “plastic eating”, que significa “comendo plástico”, a tendência praticada e postada por jovens chineses consiste em colocar plástico filme na boca antes de mastigar alimentos, como uma forma de “enganar” o corpo e não ingerir as calorias da comida. pic.twitter.com/y1YYmcfL7d
— iG (@iG) February 25, 2026
Nas publicações encontradas nas redes TikTok e X e divulgadas pelo portal O Buteco da Net, parceiro do iG, é possível ver os jovens mastigando os alimentos embalados em plástico filme e depois cuspindo todo o conteúdo, sem engolir. A “dieta” que ganhou popularidade nas plataformas acumula milhões de visualizações.
Reprodução TikTokAlém dos riscos físicos com a ingestão de plásticos, a prática também pode refletir em comportamentos ligados a transtornos alimentares
Além dos riscos físicos com a ingestão de plásticos e substâncias associadas ao material, que podem causar danos ao sistema digestivo e respiratório, a prática também pode refletir em comportamentos ligados a transtornos alimentares e emocionais, como anorexia e bulimia.
A pressão social para alcançar o corpo “perfeito”, dietas rápidas de emagrecimento, problemas emocionais e outros transtornos psicológicos podem estar diretamente ligados à pratica de comportamentos como esse.
Especialista em ansiedade alerta sobre riscos alimentares
O iG entrevistou Elisa de Lima, especialista em ansiedade, certificada pela Maharishi European Research University (MERU), na Holanda, e diretora da empresa Tonos Saúde Mental, que trata transtornos de diferentes segmentos, como o transtorno alimentar.
A especialista comentou sobre os riscos físicos e psicológicos que essa prática pode trazer às pessoas, dando destaque à compulsão alimentar, que pode estar relacionada a questões emocionais e sociais, escondidas ou mascaradas atrás de comportamentos alimentares.
“O maior risco dessa prática é afastar a pessoa da verdadeira causa do comportamento alimentar. Quando se busca uma solução rápida para emagrecer, sem olhar para o que está por trás do ato de comer, reforça-se um ciclo emocional que não é resolvido. Na maioria das vezes, o comer excessivo está ligado a emoções como ansiedade, tristeza, alegria ou necessidade de alívio emocional. Além disso, há um forte estímulo externo, como a indução ao consumo por parte da indústria alimentícia e de ambientes que incentivam o excesso, o que torna esse comportamento ainda mais automático. Ignorar essa base emocional pode intensificar a relação disfuncional com a comida”, destacou ao iG.
Elisa de Lima também alertou sobre os métodos extremistas de emagrecimento rápido e a ineficiência desses processos sem o tratamento ideal.
“Nenhuma dessas formas extremas de emagrecimento é eficaz porque não olha para a raiz do problema. O comportamento alimentar não surge do nada. Ele sempre tem um motivo emocional. Quando a pessoa tenta apenas controlar o ato de comer, sem entender por que está comendo, ela trata o sintoma, mas não resolve a causa. E tudo o que é tratado apenas na superfície tende a se repetir”, explicou.
Questionada se a prática é indicada como dieta ou método de emagrecimento, a especialista justificou o porquê da tendência ser ineficaz e apontou fatores que precisam ser tratados para uma solução funcional e saudável para a alimentação e a perda de peso.
“Essa prática não é indicada porque a base do problema não está no alimento, e sim dentro da pessoa. É preciso compreender onde, quando e por que ela está comendo. Enquanto a raiz emocional não for cuidada, qualquer tentativa de controle externo falha. Quando tratamos apenas o comportamento, o problema retorna. Quando tratamos a origem, que está nas emoções e na relação com o próprio corpo, a transformação se torna possível e sustentável”, conclui.
Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

