Tenho viagem marcada, mas desisti pela Covid-19, e agora?

Com a pandemia do novo coronavírus (Sar-CoV-2), diversas viagens precisaram ser canceladas, principalmente para destinos internacionais. Quem tinha viagem marcada para o segundo semestre ou até para 2021, foi pego de surpresa e já considera remarcar as férias.

Vender ou acumular? O que fazer com as milhas aéreas na pandemia?

arrow-options shutterstock Turistas têm dúvidas sobre o que fazer com suas viagens marcadas para o 2º semestre de 2020 e até para o ano que vem

Com a Covid-19 o melhor a fazer é viajar ou desistir? Ainda é muito cedo para cancelar viagens marcadas para os próximos meses? Quais são os direitos dos turistas  que não pensam mais em sair de férias, porém pagaram todos os boletos? Para responder essas perguntas o iG Turismo conversou com alguns especialistas na área.

A jornalista Paula Kern faria uma viagem com os amigos para o Foz do Iguaçu, Paraguai e Argentina no mês de outubro, mas ainda não está certa se irá manter a aventura.

“Criamos expectativas e nos programamos para visitar os três países, mas no momento, o cenário é de muitas incertezas. As previsões indicam que, até lá, a situação estará melhor, mas é bastante complicado acreditar porque a verdade é que o cenário futuro é totalmente incerto. Não sabemos como estará o Brasil e o mundo na semana que vem, quem dirá em outubro?”, questiona Paula.

“Compramos a viagem na Black Friday, planejamos desde novembro. Não tentei entrar em contato com a companhia aérea ainda porque, pelo que estou acompanhando há definições para as remarcações até junho. Para outubro, ainda é tudo muito incerto e receio que me cobrem a taxa de remarcação. Estou esperando para ver o que fazer, mas se pudesse decidir hoje, sem dúvidas remarcaria”, afirma.

É uma unanimidade entre os profissionais de turismo não ter certeza sobre o pós-pandemia, mas alguns dizem ser cedo cancelar passagens e pacotes para os próximos meses.

“Posso dizer que é precoce querer cancelar qualquer coisa com muita antecedência por conta da Covid-19. Todos os fornecedores do mercado estão priorizando datas próximas, a razão principal disso é que as companhias aéreas, por exemplo, estão dando condições para reembolso/alteração/crédito sem multa”, explica o diretor da Giampá Turismo, Caio Giampá.

A estratégia para não perder dinheiro nesse processo é esperar chegar mais perto da data da viagem. “Quanto mais próximo mais fácil de obter condições favoráveis. A cada dia novas condições aparecem no mercado”, recomenda Caio.

Mas se você não quer esperar, o advogado Danilo Montemurro explica quais os direitos dos turistas nessa época. “O consumidor tem direito ao cancelamento, de uma forma justa, equilibrada e que atenda ao determinado em lei, especialmente o CDC. Portanto, é necessário analisar o que estabelece o contrato que o consumidor assinou. Por exemplo, cláusula que estabelece a perda integral do que pagou é flagrantemente nula porque é ilegal, mas cláusula que estabelece a retenção de 20% do valor pago, já não é ilegal”.

Para quando programar as minhas férias novamente?

E existe um porém. Como não é possível determinar até quando a pandemia da  Covid-19  impactará na circulação de pessoas, o advogado alerta que não é possível cancelar viagens de 2021 levando em conta os “auxílios financeiros” propostos nesses meses. Sendo assim, quem tem férias marcadas para o próximo ano precisará esperar mais um pouco para tomar decisões.

Fonte: TURISMO.IG.COM.BR