De Tóquio a Nova Delhi: o mergulho no caos fascinante da Índia

De Tóquio a Nova Delhi: o mergulho no caos fascinante da Índia

Pedro HauckImagem clássica e esteotipada da India. Na verdade é assim, mas não apenas isso.

A mudança de ares começou ainda na porta de embarque, no aeroporto de Haneda, no Japão. No voo da Air India, a profusão de homens de turbante e mulheres muçulmanas com véu já antecipava o que eu estava prestes a descobrir: a Índia não é apenas um país, é um mundo.

Estamos falando da nação mais populosa do planeta. Uma civilização milenar que abriga 22 línguas oficiais (e centenas de outras), onde a predominância hindu convive com populações muçulmanas e budistas de proporções continentais. Deixar o  silêncio e o minimalismo japonês para trás e desembarcar em Nova Delhi é, sem exagero, um choque de realidade.

Monções, tuk-tuks e o coração de Delhi

Cheguei ao meu hotel, um reduto muito procurado por quem busca retiros espirituais e, após um breve descanso, encontrei minha companheira de viagem, Maria Tereza Ulbrich. Não perdemos tempo e fomos para a rua. A Índia, no entanto, te recebe com intensidade: estamos na época das monções. O calor é sufocante, a umidade é pesada e as chuvas são implacáveis.

Pedro HauckArco da Índia, Nova Delhi

Aproveitando uma tarde nublada, pegamos o moderno metrô (que surpreende pelo forte esquema militar e de segurança, com direito a raio-x e revista em todos os cantos) e fomos até o Arco da Índia. O monumento imponente fica em uma região planejada, repleta de secretarias de estado e edifícios governamentais. A grandiosidade logo deu lugar à aventura quando pegamos um tuk-tuk até o Forte Vermelho.

Pedro Hauck

Barbeiro na India.

Como a construção de arenito estava fechada, o motorista nos deixou no Chawri Bazar. Ali, encontrei a imagem clássica que temos da Índia: um caos absoluto e maravilhoso. Motos por todos os lados, tuk-tuks, carros de boi e feirantes vendendo de tudo.

No meio da multidão, decidi viver uma experiência local. Sentei na cadeira de um barbeiro de rua para dar um tapa no visual. Os barbeiros daqui (assim como no Nepal) são espetaculares: eles não apenas cortam seu cabelo, como te presenteiam com uma massagem revigorante ali mesmo, no meio da rua.


Paparazzis e o trânsito que “fala”

Dali, seguimos para a Jama Masjid, a maior mesquita de Delhi. E foi lá que viramos a atração principal. Os indianos têm uma curiosidade genuína por ocidentais e adoram tirar fotos conosco, como se fôssemos celebridades. A tietagem foi ainda maior com a Maria, por ser loira e ter olhos claros.

Pedro HauckMaria virando atração em Jama Masyd em Delhi

Voltamos ao hotel ensopados de suor, mas com a bagagem cheia de observações sobre essa Índia moderna e caótica. A cidade é um formigueiro barulhento. Os carros andam amassados porque “tiram fina” uns dos outros o tempo todo. A buzina não é um sinal de alerta para emergências, é um sonar. Eles buzinam mesmo em ruas vazias, apenas para dizer: “ei, eu estou aqui”.

Nesse cenário, o pedestre é um sobrevivente. Faixas não são respeitadas nem com o semáforo fechado. As calçadas, muitas vezes esburacadas, viram estacionamento. E com as chuvas das monções, as poças d’água te obrigam a andar no asfalto, disputando cada centímetro com as motos e os carros.

O veredito do primeiro dia

A Índia é aquele tipo de lugar onde você pode começar a viagem odiando o destino. O barulho, a poluição visual e a multidão sobrecarregam os sentidos. Mas, aos poucos, uma simples caminhada por um bairro antigo te leva a descobertas tão incríveis que o ódio se transforma rapidamente em surpresa e profunda admiração.

E foi exatamente caminhando por aquele caos do Chawri Bazar, desviando de motos e vacas, que um aroma específico tomou conta do ar. O cheiro inconfundível de especiarias misturadas, o mesmo cheiro que, no ano de 1500, fez os portugueses desviarem suas rotas, esbarrarem no Brasil e mudarem o paladar da Europa (e do mundo) para sempre.

Mas como a culinária indiana é um universo à parte, e diferente do que dizem, é uma das coisas mais fantásticas que você pode experimentar, essa viagem pelos sabores eu conto na minha próxima coluna. Até lá!

Fonte: TURISMO.IG.COM.BR

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