FreePikInício do inverno
As baixas temperaturas já fazem parte da rotina dos brasileiros nesta época do ano, mas, para muitas mulheres, o inverno também pode representar um período de maior desconforto físico e emocional.
Além das conhecidas ondas de calor, sintomas como insônia, ressecamento da pele e da região íntima, dores articulares e alterações de humor tendem a ficar mais evidentes.
Segundo a ginecologista dra. Daniella Campos, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, a combinação entre as mudanças hormonais da menopausa e as características do inverno pode impactar diretamente a qualidade de vida.
De acordo com a especialista, fatores como clima seco, menor exposição solar e temperaturas mais baixas contribuem para a percepção de piora de alguns sintomas, embora a intensidade dessa relação varie de mulher para mulher.
Alterações de temperatura desafiam o organismo
A redução dos níveis de estrogênio, característica da menopausa, afeta diversas funções do corpo, incluindo a regulação da temperatura.
Com a chegada do frio, muitas mulheres passam a sentir mais desconforto térmico, especialmente durante a noite.
“O corpo da mulher na menopausa já apresenta uma sensibilidade maior às alterações de temperatura. Nessa época do ano, é comum observarmos piora dos fogachos, mais episódios de suor noturno e desconforto térmico, principalmente durante a madrugada”, explica Dra. Daniella Campos.
A médica também destaca que ambientes fechados, excesso de roupas e banhos muito quentes podem favorecer o surgimento das ondas de calor.
Qualidade do sono pode piorar
As noites mais frias e longas também costumam interferir no descanso. Mulheres que já enfrentam dificuldades para dormir podem perceber um agravamento do problema durante o inverno.
A menor exposição à luz solar influencia a produção de substâncias ligadas ao sono e ao humor, como melatonina e serotonina.
“Muitas pacientes relatam que começam a dormir pior justamente quando chegam os dias frios. Os fogachos noturnos interrompem o sono e isso gera um efeito em cascata, afetando energia, concentração, humor e disposição ao longo do dia”, afirma a especialista.
Pele e região íntima exigem mais cuidados
O clima seco típico da estação favorece o ressecamento da pele e das mucosas. Quando associado às alterações hormonais e aos banhos quentes, o problema pode se tornar ainda mais perceptível.
Na região íntima, os sintomas incluem ardência, irritação e desconforto durante as relações sexuais.
“O ressecamento íntimo tende a ficar mais evidente durante o inverno. Muitas mulheres sentem mais desconforto nessa fase, mas acabam não procurando ajuda por acreditarem que é algo natural da idade”, alerta a médica.
Dores articulares ficam mais perceptíveis
Queixas envolvendo joelhos, mãos, coluna e quadris também são comuns nessa época do ano. Segundo a especialista, o frio pode aumentar a sensação de rigidez muscular e intensificar desconfortos já existentes.
“O frio provoca uma contração muscular maior e pode intensificar dores que já existem. Mulheres sedentárias ou que passaram pela menopausa recentemente costumam perceber ainda mais esses desconfortos”, explica.
Apesar dos relatos frequentes, a ciência ainda busca compreender de forma mais aprofundada a relação entre as temperaturas mais baixas e o agravamento das dores articulares.
Saúde emocional
Além dos sintomas físicos, o inverno pode impactar o bem-estar emocional. A combinação entre alterações hormonais, menor exposição ao sol e noites mal dormidas favorece quadros de irritabilidade, ansiedade, desânimo e oscilações de humor.
O cansaço acumulado também interfere na disposição e nas atividades do dia a dia.
Como amenizar os efeitos do inverno
Algumas medidas podem ajudar a reduzir os desconfortos durante a estação:
Com o aumento da expectativa de vida, as mulheres passam mais anos no período pós-menopausa, tornando ainda mais importante o cuidado com a saúde nessa fase.
“A menopausa não deve ser encarada como um período de sofrimento inevitável. Hoje existem recursos considerados seguros quando bem indicados e individualizados, capazes de aliviar sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida da mulher”, conclui Dra. Daniella Campos.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

