DivulgaçãoUnidade do Atacadão, do grupo Carrefour Brasil
Mercadorias vencidas e em decomposição acumuladas em depósitos, presença de gatos e fezes de animais foram algumas das irregularidades encontradas durante fiscalização da Vigilância Sanitária em uma unidade do Atacadão e outras três empresas, todas do grupo Carrefour Brasil, instaladas nas cidades de Palmas e Gurupi, no Tocantins. Também foram constatadas ventilação inadequada e equipamentos de combate a incêndio bloqueados por paletes e produtos, problemas que colocavam em risco a saúde e segurança de funcionários.
Diante da denúncia, a Justiça do Trabalho determinou a adoção de medidas para corrigir as irregularidades. A liminar foi concedida pela 1ª Vara do Trabalho de Palmas em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal e no Tocantins (MPT-DF/TO).
A decisão, assinada pelo juiz Reinaldo Martini em 1º de outubro, estabelece prazo máximo de 15 dias para o cumprimento das obrigações, que incluem a manutenção dos ambientes limpos em todas as unidades das empresas rés no estado.
As empresas também terão que separar e descartar diariamente mercadorias vencidas, avariadas ou em decomposição e garantir um programa permanente de controle de pragas e manejo de animais domésticos. Ainda deverão assegurar o acesso e a sinalização de extintores e hidrantes e instalar sistemas de ventilação ou exaustão suficientes nos depósitos.
Em caso de descumprimento, a Justiça determinou multa diária de R$ 20 mil por unidade do Atacadão no Tocantins, limitada inicialmente a R$ 1 milhão por estabelecimento.
Investigação começou há mais de um ano
A investigação do MPT teve início em agosto de 2025, a partir de denúncias sobre as condições de trabalho. Inspeções do órgão e relatórios da Vigilância Sanitária Municipal de Palmas documentaram a repetição dos problemas.
O MPT informou que as empresas recusaram a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), alegando que as providências já adotadas seriam suficientes para solucionar as irregularidades. Novas inspeções, porém, constataram a permanência das falhas.
Em Gurupi, uma fiscalização realizada em abril de 2026 voltou a identificar problemas relacionados aos equipamentos de combate a incêndio.
Ao conceder a liminar, o juiz destacou os riscos de contaminação e a dificuldade de resposta a um eventual incêndio.
A ação também pede a condenação das empresas ao pagamento de R$ 50 milhões por danos morais coletivos. Esse pedido ainda será julgado.
A reportagem do iG tentou contato com o grupo Carrefour, mas, até o momento, não obteve resposta. O espaço segue aberto.
Fonte: ECONOMIA.IG.COM.BR

