Wallace Martins/STFDesmonte do STF, uma das medidas que o bolsonarismo pretende adotar, passa pela cassação de ministros como Alexandre de Moraes e Flávio Dino
Os bolsonaristas estão eufóricos com o desempenho do seu candidato, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no primeiro turno da eleição presidencial.
Em razão disso, e da enorme bancada de deputados e senadores que elegeram, eles já dão como favas contadas a conquista da Presidência da República, no próximo dia 25.
Ministérios e até mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) já são repartidos publicamente entre os familiares de Flávio e apoiadores políticos do clã.
O pai Jair Bolsonaro, apesar de condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão, já é dado como certo para ocupar uma posição de destaque num eventual governo do filho.
Além dele, que deverá receber o indulto presidencial, já há, obviamente, candidatos aos cargos mais diversos:
a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Mariana Fux, filha do ministro Luiz Fux, por exemplo, é uma das cotadas para uma das vagas no STF.
O influenciador digital e empresário, Pablo Marçal (sic) é outro cotado para ocupar uma cadeira no Supremo.
O irmão do candidato, Eduardo Bolsonaro, que teve seu mandato de deputado federal cassado, depois que abandonou o país para se refugiar nos Estados Unidos, é cotado para ser o futuro ministro das Relações Exteriores.
E por aí vai
Medidas guardadas na manga
Medidas pra lá de polêmicas também já são anunciadas em profusão e sem-cerimônia.
Além da anunciada retirada de Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil (que Flávio desmentiu depois da repercussão negativa que obteve a proposta), há diversas outras ações guardadas na manga do bolsonarismo, prontas para serem postas em práticas.
Entre elas estão:
a alteração da Constituição (ainda não está claro qual vai ser a extensão das mudanças que, certamente, irão mexer nas cláusulas pétreas); a reforma do Judiciário; a volta das famigeradas e criminosas bets (casas de apostas eletrônicas); o fim dos programas sociais (como o Pé-de-Meia, Bolsa-Família, Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular); a flexibilização das leis ambientais; a saída do país dos acordos climáticos globais; o fim das campanhas de vacinação; a expulsão dos indígenas de suas terras etc. etc.
Cereja do bolo
A cereja do bolo, contudo, será a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
Tal medida, deverá vir acompanhada do anúncio do início do processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, tido como inimigo número 1 dos Bolsonaro, e, muito provavelmente, de outros ministros da Corte que têm votado contra os interesses do clã bolsonarista.
Arrumando as gavetas
A julgar por isso, há quem diga que Alexandre de Moraes já pode ir arrumando as suas gavetas e preparando a sua retirada do STF.
Prova de que ele está na mira do bolsonarismo foi a declaração dada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), reeleito no dia 4, nesta quarta-feira (7).
Amparado nos 3 milhões de votos que lhe renderam o título de deputado federal mais votado da história, Nikolas não fez curva ao falar do tema Alexandre de Moraes.
Segundo ele, o caminho para o ministro é “impeachment e a cadeia”.
Ele também disse que o lugar de Moraes deve ser na prisão, onde deveria ficar ao “ladinho” do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
“Agora pode fazer o que quiser, Alexandre de Moraes. Mais uma vez: aquilo que você planta, você colhe, e só tem um lugar que você deve estar: é ao ladinho do Daniel Vorcaro na cadeia”, disse o deputado, em entrevista a Igor Gadelha, do Metrópoles.
Fonte: ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR

