Mackenzie comemora finalização inédita e diz que tem mais: “Vai pegar todo mundo de surpresa”

Mackenzie Dern foi um dos destaques do UFC no último sábado, quando finalizou Hannah Cifers com uma chave de joelho no primeiro round. A finalização utilizada, por sinal, foi inédita na divisão feminina da organização e rendeu ainda um bônus de US$50 mil (cerca de R$260 mil) como performance da noite.

Mackenzie Dern finalizou Hannah Cifers no UFC: Woodley x Burns — Foto: Getty Images

Em entrevista ao Combate.com, a lutadora avaliou seu desempenho e como se sentiu na luta.

– Eu achei que fui muito bem na minha luta. Me senti bem na trocação, com as quedas e no meu chão. Estava tudo fluindo. Achei a Hannah forte, ela estava dominando quando a gente estava no clinche, mas na trocação tinha espaço e eu estava acertando bastante golpes. E não posso estar mais feliz do que estou ao ter finalizado com uma chave de joelho, algo que sempre fiz no jiu-jítsu. E fiquei muito feliz em poder mostrar que tenho um alto nível no jiu-jítsu para o MMA.

Multicampeã de jiu-jítsu, Mackenzie sabe que seu jogo de chão é acima da média no UFC. E ela avisa que poderá aplicar outras finalizações inéditas no octógono.

– Acho que nenhuma mulher no UFC tem o tipo de chão que eu tenho. O raciocínio rápido no chão, de pensar em várias armas, várias finalizações e opções, raspar, ir pras costas, transições… Acredito que vai ter muito mais primeiras finalizações da história do UFC nas minhas lutas. Tenho muitas que sempre fiz no jiu-jítsu e não tenho dúvidas que vou fazer no octógono. Vai pegar todo mundo de surpresa e os fãs vão gostar.

Em tempos de pandemia do novo coronavírus, Dern contou que se adaptou bem aos treinos com restrições, e como lidou com o fato de lutar sem público.

– Meus treinos foram bons. Não foram os ideais que eu poderia ter, mas a Black House abriu as portas para alguns atletas que tinham lutas marcadas. Não tive muitos sparrings e senti um pouco também a parte física, de treinar mais forte, mas acho que eu tive uma preparação melhor do que muitos atletas, que falaram que estavam treinando só na garagem, etc. Acho que fiz o melhor com as condições que tinha.

– A semana da luta foi muito mais restrita. Não pude levar minha família. Fiz dois testes de coronavírus. A Comissão Atlética estava até bem chata, regulando o que você tinha que fazer, onde podia ir, sempre de máscara. Mas lutar sem público fez com que eu escutasse meus treinadores muito bem, achei bem legal. Senti que eles estavam dentro do octógono. Não teve aquela adrenalina, público influenciando a vibe da luta.

Com sua filha, Moa, prestes a completar um ano de idade, Mackenzie conta como vem se sentido ainda mais motivada depois que se tornou mãe.

– É uma motivação bem maior, muito além de mim. Meu foco é deixar minha filha orgulhosa, dar uma vida boa para ela. É tudo uma motivação a mais. Teve muitas pessoas que criticaram, que falaram que minha carreira estava acabada, mas posso provar pra todo mundo que acha que ter filho não é aposentadoria. Às vezes você está mentalmente cansada, mas tudo vale a pena quando vejo o sorriso dela, que está com saúde. Meu marido me ajuda muito, isso não seria possível sem ele me ajudando. Ela vem nos treinos comigo, somos um time mesmo.

A vitória diante de Cifers fez com que Mackenzie voltasse ao caminho das vitórias. Ela perdeu sua invencibilidade no MMA em outubro do ano passado, quando foi derrotada por Amanda Ribas. Com o triunfo do último sábado, a faixa-preta quer voltar ao octógono com mais frequência este ano.

– Agora que eu ganhei, que fiz uma luta boa, tomara que o UFC goste disso e me coloque pra lutar mais. Posso aproveitar que meu marido está em casa, pois os eventos dele foram cancelados, e assim posso aproveitar e ter essa ajuda para focar mais nos treinos, evoluir como atleta. Eu quero lutar mais três vezes esse ano. Seria o ideal para mim.

Mackenzie Dern finalizou Hannah Cifers no UFC: Woodley x Burns — Foto: Getty Images

A dupla nacionalidade – brasileira e americana – de Mackenzie faz com que receba uma torcida em dobro em suas lutas. E ela ficou feliz com o incentivo que recebeu dos fãs do Brasil, e por isso ofereceu ao país o momento inédito que protagonizou no evento.

– Eu não sei se foi porque eu estava lutando contra uma americana ou se a galera do Brasil estava sentindo que eu era um deles, mas eu senti que não estava lá sozinha. Eu estava recebendo uma energia muito boa, de todos os fãs, meus amigos, a galera do Brasil. A gente conseguiu trazer mais um momento histórico para o Brasil, que foi a primeira chave de joelho no MMA feminino. Estou muito feliz com a torcida brasileira, e muito feliz de representar o Brasil.

Combate.com