Atropelada por motorista que fugiu, mulher morre em Cacoal; pai quer encontrar “assassino” e acusa hospital, que responde

Diretor do Hospital Regional explicou que cirurgia da paciente só poderia ser feita em Cacoal

O morador de Vilhena Antônio José Ferreira, de 46 anos, pai de Erika Karoline de Lima Ferreira, de 24 anos, que morreu às 16h00 de ontem (segunda-feira, 13), no Hospital Euro de Cacoal, após esperar 38 dias por uma cirurgia na perna para colocação de platina, conversou com a reportagem do site FOLHA DO SUL ON LINE e acusou a direção do Hospital Regional de Vilhena, de negligência.

Erika sofreu um acidente de trânsito na esquina da casa do pai, localizada na Rua 605, no Setor 06, quando ia de bicicleta para uma congregação religiosa e foi atingida por trás por um veículo Fiat Uno de cor vinho, modelo antigo, cujo condutor desrespeitou a sinalização.

Como o motorista fugiu sem prestar socorro à vítima, uma testemunha conseguiu anotar as letras da placa do veículo (JYL) e Érika foi socorrida e levada ao Hospital Regional, apresentando múltipla fratura em uma das pernas.

Segundo Antônio, neste dia começou uma luta que acabou com fim trágico, quando sua filha aguardou 30 dias internada em Vilhena à espera de uma transferência para Cacoal, já que a direção da unidade alegava não possuir material apropriado para a realização da cirurgia.

Além de providenciar materiais de higiene por conta própria para a filha e a esposa durante o tempo que elas ficaram no hospital, a fim de protegê-las da contaminação pelo novo Coronavírus, Antônio afirmou ter se oferecido para custear o material necessário para a cirurgia, mas teve o pedido negado pelo direção do HR,  que alegou que o SUS não aceita tal procedimento.

Após o tempo de espera e angústia, enfim Erika foi transferida para Cacoal, onde ficou por mais 8 dias, até que passou mal durante o banho na noite de domingo, 12, e após sofrer seis paradas respiratórias, acabou falecendo.

Além da imprudência do motorista que causou o acidente da filha, Antônio acredita que a culpa da morte de Érika também é da unidade onde ela ficou internada em Vilhena, que mesmo após ele ter realizado uma denúncia no Ministério Público para tentar acelerar o processo de transferência, alegava não ter condições de cumprir a determinação por falta de vaga no hospital de Cacoal.

Quando questionado se acredita que a filha tenha sido contaminada pelo novo Coronavírus e que essa tenha sido a causa da morte, Antônio afirmou que não, porém, mesmo que isso tenha acontecido, não livra a direção do Hospital Regional da responsabilidade, uma vez que a demora na transferência da filha aumentava diariamente o risco de contaminação.

A morte de Érika, que faleceu dois dias após seu aniversário e deixou esposo e uma filha, terá a causa esclarecida por uma autópsia requisitada pela família.

Além da dor, que é inevitável, a morte da jovem causou revolta em Antônio, que clama por justiça: ” Quero encontrar o responsável pelo acidente da minha filha que não teve a coragem de prestar socorro e responsabilizar o diretor do hospital pela demora na transferência, pois pra mim foi isso que causou a morte dela”, desabafou o pai.

O OUTRO LADO
Procurado pela reportagem do site, Faiçal Akkari, diretor do Regional, afirmou que a cirurgia que Erika precisava não é realizada na unidade, e sim pelo Governo do Estado.

“Se não temos habilitação pelo SUS não podemos fazer, mesmo que sejam fornecidos os materiais. Fico solidário à dor da família”, concluiu Faiçal.

Fonte: www.folhadosulonline.com.br/