Arquivo pessoalBradesco Aeternum é o segundo cartão mais exclusivo do Bradesco hoje
O Bradesco tem um problema interessante no topo de seu portfólio de cartões: seu principal produto para clientes de alta renda, o Aeternum Visa Infinite, é bom, exclusivo e competitivo, mas está praticamente sozinho em uma faixa que o mercado começa a tratar como insuficiente.
Entre os grandes bancos, Itaú e, mais recentemente, Santander avançaram em novas categorias de cartões premium. A própria Visa trabalha em uma segmentação intermediária entre o Infinite e o Infinite Private. O Bradesco, um de seus principais parceiros no Brasil, ainda não apresentou um produto para ocupar esse espaço.
Fontes ouvidas pela coluna, tanto no Bradesco quanto na Visa, afirmam que há algo sendo preparado para esse público. A dúvida é se o banco lançará um novo cartão para preencher essa lacuna ou se pretende incrementar o Aeternum.
O Bradesco tem hoje uma distância considerável entre o Aeternum e o American Express Centurion. O primeiro pode ser solicitado por clientes com limite de crédito acima de R$ 150 mil na instituição. O segundo segue uma lógica completamente diferente: é liberado somente por convite e o cliente precisa manter gastos de cerca de R$ 2 milhões por ano no cartão.
O Centurion, portanto, atende a uma parcela extremamente restrita dos clientes multimilionários. Para quem está no segmento Private, mas não alcança os critérios de acesso ao cartão da Amex, o Aeternum acaba ocupando uma posição muito mais ampla dentro do portfólio.
É justamente nessa faixa que surge a oportunidade de uma oferta mais sofisticada, com benefícios e serviços superiores aos de um cartão premium convencional, mas sem reproduzir a lógica de exclusividade do Centurion.
A Visa identificou essa oportunidade. O Infinite Private, antigo Privilege, foi criado no ano passado para ficar acima do Infinite tradicional, voltado a um público que gasta em média R$ 720 mil no cartão por ano. Agora, como revelou à coluna na semana passada o presidente da Visa do Brasil, a bandeira deve lançar uma nova categoria entre os dois produtos, voltada a uma faixa de clientes que fica acima do público tradicional do Infinite e abaixo do Infinite Private.
Itaú e Santander já avançaram com o Infinite Private. O Bradesco, apesar da parceria histórica com a Visa e da presença simultânea nos segmentos de alta renda e de cartões ultrasseletivos, ainda não anunciou uma solução própria para essa nova faixa.
Segmento Principal
A necessidade de uma oferta mais sofisticada fica mais clara quando se observa o próprio movimento do Bradesco. Em 2024, a instituição criou o segmento Principal, destinado a clientes com renda mensal a partir de R$ 25 mil ou investimentos entre R$ 300 mil e R$ 10 milhões. Acima dessa faixa está o Private.
A criação do Principal reorganizou a faixa entre o Prime e o Private e mostrou que o banco passou a tratar a alta renda com maior segmentação. O cartão acompanha essa estratégia. Dentro do Principal, o Bradesco oferece um Visa Infinite que acumula 2,5 pontos por dólar no Brasil e 3 no exterior, além do American Express The Platinum Card, com 2,2 e 3 pontos, respectivamente.
O Aeternum está acima desses produtos em pontuação e benefícios e continua sendo a principal referência em cartões para a alta renda do banco. A questão aparece justamente quando o cliente avança dentro da estrutura de relacionamento.
Um cliente do Private que não é elegível ao Centurion permanece, na prática, com o Aeternum como principal alternativa de cartão. Isso faz com que um único produto cumpra papéis diferentes dentro da estratégia de alta renda do Bradesco: atende ao cliente premium que alcançou a régua de entrada do Aeternum no Principal e também pode ser a opção para quem já está em uma relação Private, mas não chegou ao nível de acesso do Centurion.
O próximo passo pode estar no próprio Aeternum
Embora no Brasil bancos não tenham o hábito de reformular produtos — preferem sempre lançar novos —, o Bradesco também poderia obter sucesso ao elevar o próprio Aeternum a um novo patamar. O cartão já tem uma característica valiosa para o segmento de alta renda: não tão é fácil de obter e o banco conseguiu preservar sua exclusividade.
Uma evolução na pontuação nacional, acompanhada de novos benefícios e serviços, poderia ampliar o valor percebido pelo cliente sem exigir necessariamente a criação de uma nova categoria. A atualização recente da pontuação internacional mostra que o produto continua recebendo atenção do banco.
Essa alternativa permitiria preservar uma marca já conhecida entre os clientes de maior renda e, ao mesmo tempo, elevar a régua de benefícios. O Bradesco já construiu no Aeternum uma combinação de escassez, serviços e percepção de exclusividade. Há valor em aproveitar essa base.
O Bradesco já segmentou sua base de alta renda, criou uma estrutura específica para esses clientes e conseguiu manter o Aeternum como um produto restrito. O próximo passo será fazer com que a arquitetura de cartões acompanhe essa evolução.
Se a Visa está criando uma nova categoria para uma faixa que o mercado passou a enxergar com mais clareza, deixar esse espaço vazio pode significar entregar aos concorrentes uma oportunidade justamente entre os clientes que o Bradesco mais quer manter.
Fonte: ECONOMIA.IG.COM.BR

