Divulgação/Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRSPiraíba é um dos maiores peixes de água doce da América Latina
A “rainha do Araguaia” pode chegar a 2 metros, pesar mais de 100kg e percorrer longas distâncias de centenas de quilômetros entre rios amazônicos. Apesar das características impressionantes, a piraíba ainda guarda muitos segredos para a ciência e é uma das espécies alvo de expedições de estudo e salvaguarda do Projeto Peixara.
A Brachyplatystoma filamentosum é um dos maiores peixes-bagres de água doce da América Latina. Sem escamas, é considerada um “peixe de couro”, com pele grossa que relembra o tecido.
Ela vive em grandes rios, imensos o suficiente para que o animal tenha comportamentos migratórios. Segundo informações divulgadas pelo projeto, o Rio Araguaia, em Goiás, é um dos pontos centrais para o estudo e preservação da espécie.
Conforme o projeto, um dos animais monitorados chegou a percorrer 800 quilômetros num período de 45 dias aproximadamente, entre os grandes rios brasileiros. A espécie também existe nas Guianas, Colômbia, Equador, Bolívia, Venezuela e Suriname.
O tamanho impressionante e a dificuldade para fisgar um animal desse porte trazem um porém: a piraíba é um dos alvos “favoritos” da pesca predatória, que por anos caçou o animal sem que houvesse proteção suficiente para a espécie.
A consequência foi uma redução da população histórica da espécie, ameaçada pela sobrepesca e por barragens de hidrelétricas. A partir de 2013, uma “cota zero” foi implementada como medida de proteção. Qualquer ação que ameace a espécie pode resultar em penalidades severas.
Além disso, o Projeto Peixara promove ações de pesquisa, monitoramento e manejo em busca de melhor entendimento do comportamento da piraíba, além de informações que possam ajudar na preservação.
Pesquisadores locais, acadêmicos da Universidade Federal de Goiás (UFG) e pescadores se reúnem pelo Rio Araguaia para capturar e avaliar indivíduos da espécie.
Onde nada a rainha?
Com objetivo de acompanhar as piraíbas, os pesquisadores usam radiotelemetria, uma técnica que permite localizar os indivíduos marcados por meio de transmissores que são inseridos nos animais.
Funciona assim: as equipes pescam um indivíduo, analisam e decidem acoplar o transmissor. O sistema permite localizar os animais e identificar por onde têm se deslocado e habitado, trazendo dados sobre comportamento e ciclo de vida dos peixes. Depois, ele é devolvido ao rio.
Para conhecer o comportamento dos peixes do Rio Araguaia utilizamos metodologias consolidadas como a marcação com “tags”(ou “marcas spaghetti”) e tecnologias de ponta, como a radiotelemetria e análise de DNA para estudos populacionais e identificação ovos e larvas de peixes Projeto Peixara, apresentação em site oficial
Isso porque ainda há pouca informação disponível para afirmar com precisão a distribuição e ocorrência da piraíba. O conjunto de novos dados deve fortalecer estratégias para manejo e conservação da rainha do Araguaia, além de fornecer dados genéticos para ampliar o conhecimento dela.
Fonte: ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR

