Acervo Pessoal / DivulgaçãoDra. Ana Comin falou sobre endometriose durante participação no Ver Mais Itajaí.
Cólicas intensas, dores pélvicas, alterações intestinais e dificuldade para engravidar podem estar entre os sinais da endometriose. Apesar de atingir mulheres em idade reprodutiva, a doença nem sempre é identificada rapidamente e pode exigir uma investigação especializada.
O assunto foi abordado pela ginecologista, obstetra e especialista em menopausa Dra. Ana Comin durante participação no programa Ver Mais Itajaí, exibido pela NDTV, afiliada da Record em Santa Catarina. Durante a conversa com a apresentadora Thayná Costa, a médica explicou como a doença se manifesta e quais sinais merecem atenção.
“A endometriose é aquele tecido do endométrio que descama todo mês e que, ao invés de estar apenas ali, vai para fora. Está principalmente na pelve, mas pode estar em outros lugares”, afirma.
A endometriose é caracterizada pela presença de tecido semelhante ao que reveste internamente o útero fora da cavidade uterina. As lesões podem atingir diferentes regiões e estar associadas a processos inflamatórios e dor.
De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência estimada da doença está entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.
Diagnóstico pode ser um desafio
Um dos pontos abordados por Ana Comin foi a dificuldade que algumas pacientes enfrentam até chegar ao diagnóstico. Segundo a especialista, a investigação depende tanto da avaliação médica quanto da realização e interpretação adequada dos exames de imagem.
“Tem poucos profissionais hoje que realmente conseguem identificar e trabalham com isso. Então, tem uma diversidade muito grande hoje no nosso país”, pontua.
A médica também destacou a influência da genética e comentou sobre a chamada menstruação retrógrada, uma das teorias utilizadas para explicar o desenvolvimento da endometriose. Ainda existem, porém, aspectos da doença que não estão completamente esclarecidos.
Outra preocupação frequente é a fertilidade. A endometriose pode estar associada à dificuldade para engravidar, mas o diagnóstico não significa necessariamente que a mulher será infértil.
“A endometriose pode causar infertilidade. Esse é o principal medo das pacientes que esperam para engravidar mais tarde”, conta.
A extensão das lesões também não determina, sozinha, a capacidade reprodutiva.
“Mas isso não é uma certeza. E também não é tamanho da endometriose. A gente tem pacientes com muita endometriose que engravidam facilmente.”
Quando a cirurgia pode ser indicada?
O tratamento depende das características de cada paciente, da intensidade dos sintomas e de questões como o desejo de engravidar. Segundo Ana Comin, inicialmente podem ser adotadas estratégias para controlar a menstruação e a dor.
“O que interessa é que a paciente não menstrue e que ela não sinta mais dor. A primeira atitude é essa”, destaca.
Quando a dor persiste apesar do tratamento ou quando uma paciente com endometriose conhecida encontra dificuldades para engravidar, a possibilidade de intervenção cirúrgica pode ser avaliada.
Entre as técnicas utilizadas estão procedimentos minimamente invasivos, como a videolaparoscopia e a cirurgia robótica.
“Hoje a gente opera endometriose por videolaparoscopia e robótica. É muito difícil, não tem como você fazer uma cirurgia realmente de sucesso sem ser dessa forma”, relata.
A participação de Ana Comin no Ver Mais Itajaí reforçou a importância de não normalizar sintomas que interferem na rotina. Dores intensas, alterações persistentes e dificuldades reprodutivas devem ser discutidas com um ginecologista para que a necessidade de investigação seja avaliada individualmente.
Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

