Tomaz Silva/Agência BrasilCerimônia de posse do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em janeiro de 2023
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidará o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, para sua cerimônia de posse, marcada para 05 de janeiro. A informação é da CNN.
A iniciativa tem como objetivo mostrar que o governo brasileiro está disposto a deixar as diferenças políticas de lado e manter o diálogo com os dois países, segundo a coluna de Gustavo Uribe na CNN.
A data da cerimônia, geralmente celebrada no dia 01, foi alterada pelo Congresso Nacional para facilitar a participação de líderes de outros países. Antes da posse, Lula ainda poderá se encontrar com Trump e Milei em compromissos internacionais previstos para dezembro como a 69ª Cúpula do Mercosul, no dia 04 , e a reunião do G20, no dia 14.
Lula foi reeleito no domingo (25), com 64,2 milhões de votos, aproximadamente 4,4 milhões a mais que Flávio, que recebeu 59,8 milhões.
Os dois presidentes ainda não se manifestaram publicamente reconhecendo, nem parabenizado Lula pela vitória nas eleições. Ambos os governos estão envolvidos na fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do país pela Argentina, em direção aos Estados Unidos.
Tensão entre Brasil e Argentina
O convite aos dois presidentes ocorre em meio a um cenário de tensão envolvendo Brasil, Argentina e Estados Unidos.
Na segunda-feira (26), após a derrota de Flávio Bolsonaro para Lula no segundo turno das eleições, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF). Flávio, porém, não cumpriu a determinação.
Na noite de terça-feira (27), o senador deixou o Brasil pela Ponte Internacional da Amizade. Depois, embarcou com familiares em um avião particular que fez uma parada em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos.
Em comunicado, a Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou a entrada do senador e de três familiares no país. O grupo passou pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, às 22h50.
Segundo o órgão, Flávio, a esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as filhas, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro, apresentaram documentos de viagem válidos e não tinham impedimentos legais para entrar no país.
O Itamaraty chegou a convocar, na quinta-feira (29), a representante da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para pedir explicações sobre fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo país vizinho antes de viajar para os Estados Unidos.
Fuga para os Estados Unidos
Depois de deixar o Brasil e passar pela Argentina e pelo Equador, Flávio e seus familiares receberam do governo dos Estados Unidos vistos humanitários, que permitem permanecer no país por até um ano.
Já nos Estados Unidos, o senador publicou uma carta na qual se declarou “presidente eleito do Brasil”. Pouco depois, mudou a expressão para “líder do Brasil”.
Trump, apesar de fazer uma série de críticas sobre a eleição presidencial brasileira, evitou apoiar as declarações de Flávio em que se autodeclarou “líder” do país.
O iG entrou em contato com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência para confirmar a intenção de Lula em fazer os convites, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Fonte: ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR

