FreePikMenopausa
Esquecer uma palavra no meio de uma frase, perder o raciocínio durante uma atividade ou ter dificuldade para lidar com várias tarefas ao mesmo tempo pode se tornar mais frequente durante o climatério.
Para muitas mulheres, essas mudanças aparecem como uma sensação de que o pensamento está mais lento ou de que ficou mais difícil manter a atenção.
A chamada brain fog, ou névoa cerebral, não é considerada uma doença ou diagnóstico médico. O termo é usado para descrever queixas relacionadas à memória, concentração, planejamento e velocidade de raciocínio que podem surgir na transição para a menopausa.
Segundo a neurologista Sônia Brucki, coordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, as alterações hormonais estão entre os fatores que podem influenciar o funcionamento cerebral nesse período.
O cérebro possui receptores para o estrogênio em regiões relacionadas à memória, atenção e funções executivas. Além disso, essa redução hormonal também influencia neurotransmissores ligados ao humor, aumentando o risco de ansiedade e depressão em algumas mulheres Sônia Brucki
As queixas, entretanto, nem sempre significam que exista uma perda cognitiva importante. Estimativas apontam que entre 40% e 60% das mulheres de meia-idade percebem algum tipo de alteração durante a transição menopausal. Na maioria das situações, os sintomas são leves e não indicam demência.
O que muda no dia a dia
Uma das áreas que pode ser mais afetada é a das funções executivas, responsáveis por organizar pensamentos, planejar atividades, tomar decisões e alternar entre diferentes tarefas.
“É comum a mulher sentir queda nas funções executivas, ou seja, dificuldade para tomar decisões rápidas, mudar estratégias frente a um problema, de fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Isso se reduz um pouco, mas são sensações não comprovadas em testes. Em geral, esses sintomas aparecem na perimenopausa e tendem a melhorar ao longo do tempo”, afirma.
Mesmo quando uma avaliação não identifica uma alteração significativa, a sensação experimentada pela mulher pode ser suficiente para atrapalhar atividades profissionais, estudos e tarefas cotidianas.
Outro fator importante é o sono. Ondas de calor, ansiedade e mudanças de humor podem provocar noites interrompidas e pouco reparadoras. O resultado pode ser mais cansaço durante o dia, menor capacidade de concentração e maior dificuldade para lembrar informações.
Manter o cérebro em movimento
Não existe evidência de que exercícios cognitivos sejam capazes de eliminar a brain fog. Ainda assim, manter o cérebro diante de novos desafios pode contribuir para preservar diferentes habilidades ao longo do tempo.
Para Tathiana Tavares, fonoaudióloga e multifranqueada da rede Supera, atividades que exigem aprendizado e raciocínio podem favorecer a chamada reserva cognitiva, relacionada à capacidade de utilizar diferentes estratégias diante das mudanças provocadas pelo envelhecimento.
Assim como cuidamos do corpo, também precisamos exercitar o cérebro. Estimular memória, atenção, raciocínio, planejamento e flexibilidade mental contribui para que a mulher atravesse o climatério com mais autonomia, confiança e qualidade de vida Sônia Brucki
Aprender um idioma, tocar um instrumento, ler, jogar ou resolver problemas de lógica são algumas possibilidades. A recomendação é variar os estímulos e, sempre que possível, procurar atividades que representem um desafio novo.
A informação também pode fazer diferença na maneira como essa etapa é enfrentada. De acordo com Tathiana, compreender as transformações do período pode diminuir inseguranças e favorecer o apoio dentro de casa.
“A menopausa impacta toda a dinâmica familiar. Quanto mais informação existir sobre esse período, maior será o acolhimento e o apoio para quem está vivendo essa fase. Homens, filhos e familiares também precisam compreender essas mudanças”, destaca.
Hábitos também protegem a saúde cerebral
Cuidar da cognição durante o climatério não depende de uma única estratégia. A manutenção de hábitos saudáveis pode contribuir para a saúde do cérebro e para a qualidade de vida, incluindo:
A Organização Mundial da Saúde reconhece que a menopausa pode repercutir em diferentes áreas da vida, incluindo aspectos físicos, emocionais, mentais e sociais. A experiência, porém, varia bastante entre as mulheres.
Por isso, quando os esquecimentos e dificuldades de concentração são persistentes ou começam a interferir significativamente na rotina, é importante procurar avaliação profissional. Ansiedade, depressão, alterações na tireoide, deficiência de vitaminas e problemas relacionados ao sono também podem provocar sintomas semelhantes.
Para Sônia Brucki, compreender o climatério como parte do processo de envelhecimento é importante para evitar que as alterações sejam vistas como uma perda definitiva das capacidades cognitivas.
“Hoje as mulheres vivem, em média, cerca de 30 anos após a menopausa. Por isso, é fundamental entender que esse período faz parte da longevidade feminina e que existem formas de preservar a saúde física, emocional e cognitiva durante toda essa etapa”, conclui.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

