Rapaz que matou padrasto escapou de chacina que deixou sua mãe e quatro irmãs mortas; relembre tragédia que abalou RO

 
Para melhor entender essa reportagem leia antes os links a seguir na sequência:   https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2021/Homem é morto a facadas pelo enteado que assume crime e diz que agiu para proteger os irmãos menores e Preso em Vilhena rapaz de 20 anos que matou padrasto para proteger irmãos é defendido pelo pai: “não é bandido”  

 
Noite do dia 27 de maio de 2005, Ereni Santos, de 34 anos, recém-cirurgiada e as quatro filhas, Ingrid Santos, de 17 anos, Jualiana, Alini e Luana Santos Marcos, de 10, 07 e 02 anos, são brutalmente assassinadas e enterradas uma sobre a outra em uma cova funda, por Damião Fernandes de Araújo e pela esposa dele, Lucimar Ribeiro, mais conhecida como “Neguinha”, na fazenda Barro Vermelho, entre o distrito do Guaporé e a zona urbana de Chupinguaia.
 
Assim começa o drama de João Pedro Marcos, de 45 anos e R. Santos Marcos, de 20, que sobreviveram à chacina que marcou a história do pacato distrito o município de Chupinguaia, assim como abalou o Estado de Rondônia, devido a crueldade usada pelos assassinos, que asfixiaram as quatro meninas com as mangas das camisas do próprio pai, esfaquearam, racharam seus crânios a pauladas e as enterraram a cerca de 30 metros da residência que moravam.
 
Movido apenas por inveja do cargo que João Pedro, que na época tinha 30 anos, ocupava na fazenda onde ambos trabalhavam a cerca de 90 dias, Damião arquitetou seu plano macabro através do qual intentava matar toda uma família, e só não conseguiu porque o capataz teve que viajar a Rolim de Moura para visitar uns parentes que não via há 03 anos e, na madrugada em que saía de casa para pegar o ônibus, seu filho de apenas 04 anos acordou e começou a chorar querendo ir com o pai.
 
Instruído pela esposa Ereni, que não pode ir junto por estar se recuperando de uma cirurgia, João Pedro levou R. Marcos na viagem na sexta-feira, 27, na intenção de passar o final de semana e retonar na segunda-feira, 30.
 
Porém, movido por um pressentimento ruim, João Pedro pegou o filho e voltou ainda no domingo de manhã de carona, chegando em casa por volta das 12:00h, quando foi recebido por Damião, que morava a menos de 40 metros da sua casa, afirmando que sua família não estava, pois todos tinham ido para o distrito do Guaporé.
 
Mesmo achando estranho que a esposa recém-operada saísse de casa, João Pedro recusou o convite do colega de trabalho para almoçar e foi pra casa, onde encontrou as panelas cheias sobre o fogão e um bolo sobre a mesa, que não tinha sido tocado.
 
“Como tinha um cavalo ferido na fazenda, almocei rapidamente para ir até a cidade comprar um remédio pra ele e “Neguinha” insistiu para o R. Marcos ficar com ela, mas ele chorou muito e não quis”, relembrou João Pedro.
 
Quando retornou para casa e procurou Damião para juntos matarem uma novilha a pedido dos patrões, o capataz já se deparou com a casa dele trancada, e como ninguém apareceu até o dia seguinte, comunicou seus superiores, que foram ao local e arrombaram a porta, mas não entraram no banheiro da residência, que estava banhado em sangue.
 
Preocupado com o que podia ter acontecido com Damião e Lucimar, João Pedro denunciou o sumiço deles para a Polícia Militar, enquanto também procurava pela família, que não retornava do suposto passeio.
 
Além da preocupação e dos boatos que circulavam na vizinhança, de que tinha sido abandonado pela mulher, o capataz era pressionado pela polícia, devido Damião ter mentido para o dono de um bar localizado ás margens da BR-435, espalhando que que ele (João Pedro) tinha a intenção de lhe matar.
 
“Como o Damião mentiu para o dono do bar, quando ele fugiu de lá com a esposa, os policiais vieram como ‘abelhas’ pra cima de mim, querendo que eu desse conta dele, mas minha preocupação era minha família, pois eu não tinha feito nada errado e não acreditava que minha mulher tivesse fugido de casa, se a gente estava bem e ainda mais sem levar o menino”, relatou João Pedro.
 
 
E assim se passaram 08 dias de buscas incessantes pelo casal, que desapareceu como num passe de mágica e pela família do capataz, que não dava sinal de vida.
 
 
Quando questionado pela reportagem se em algum momento passou por sua cabeça que a família estivesse morta, João Pedro afirmou que não, porque depois que os policiais entraram no banheiro da casa de Damião e viram o local ensanguentando, ele imaginava que o funcionário tivesse matado a própria mulher e fugido, e não que aquela cena fosse o local da tragédia que ele ainda iria descobrir.
 
 
“Da minha casa eu via um cachorrinho que o Damião deixou cavando sempre no mesmo lugar e decidi chamar meu cunhado para ver o que ele tanto procurava e comecei a cavar também com um enxadão. E olha que a polícia já tinha passada muito em cima da quele local”, afirmou o capataz.
 
 
Segundo João Pedro, após cavar cerca de meio metro, ele bateu sobre uma lona preta e no enxadão veio uma mecha de cabelo, que na hora ele reconheceu como sendo da sua bebê de dois anos, que segundo a perícia, foi morta a facadas e teve os dois braços quebrados.
 
"Quando eu peguei o cabelo da minha pequena senti um choque e não vi mais nada. Meu cunhado foi que chamou a policia pois também não conseguiu continuar cavando. Minhas filhas e minha mulher estavam com as mangas das minhas camisas amarradas no pescoço”, lembrou João Pedro muito emocionado.
 
Dois dias depois dos corpos das cinco mulheres serem encontrados, a Polícia Civil de Vilhena rastreou o casal Damião e Jucimara até o município de Juína/MT, onde foram presos e trazidos de volta. Prisão esta que rendeu a à equipe da Dedlegacia de Homicídios, que ainda hoje atua na instituição, um elogio público por parte do governador da época.
 
“Nunca imaginei que eles pudessem fazer isso, pois jamais tivemos uma discussão e vivíamos bem como vizinhos, tanto que a ‘Neguinha’ não saia da minha casa. E, quando perguntaram pra ele porque ele matou minha família, ele disse que foi por inveja do meu cargo de capataz e que a intenção era matar todos nós”, afirmou João Pedro.
 
Apesar de ter relatado que nunca falou sobre o ocorrido com R. Marcos, o capataz, que se mudou do local após a tragédia para proteger o filho, afirmou que mesmo assim ele soube pela boca de terceiros e jamais conseguiu superar o trauma causado pela forma como perdeu a família.
 
“Muitos disseram que eu tinha ficado louco e que tinha virado andarilho depois do que aconteceu, mas pelo R.Marcos tive forças pra continuar e voltar a morar naquele local depois de muitos anos, mas ele nunca quis, achei até estranho que ele fosse agora. Com certeza ele foi pra cuidar dos irmãos com medo de que tudo acontecesse denovo”, afirmou o homem.
 
Hoje, Damião, que já possuía mandados de prisão em quatro Estados diferentes antes de cometer a chacina que lhe deu um lugar no pódio dos assassinos mais perigosos do país, segundo uma matéria divulgada pelo site Rondônia Dinâmica e reproduzida pelo FOLHA DO SUL ON LINE em 2010 (CONFIRA AQUI), continua preso em Porto Velho, assim como Lucimar.
 
A escola que as meninas Juliana e Alini estudavam no município de Chupinguaia, e que na época estava em fase de construção, recebeu o nome das irmãs como homenagem às duas das cinco vítimas do crime brutal.
 
"Pensei que tinha superado aquela tragédia, mas hoje me vejo vivendo tudo de novo. Não quero justificar o que meu filho fez, mas não conheço um inimigo dele e sei que ele agiu movido por uma raiva muito grande e pelo medo de perder os irmãos, como foram tiradas dele as outras quatro e mãe no passado”, conclui João Pedro.
 
 

Fonte: FOLHADOSULONLINE.COM.BR