“Como todos os ignorantes, eu luto no escuro (e do jeito que dá!) contra esse vírus que tão poucos entendem”

*DIMAS FERREIRA

Há quem queira discutir toda essa tragédia que nos assola sob diferentes pontos de vista: vacina ou ivermectina? Lockdown ou empresas funcionando? Igrejas abertas ou cultos on-line?

Tenho quase nenhum conhecimento científico, mas algum bom senso para debater essas questões, porém desconfio que ninguém está muito interessado em qualquer outra opinião divergente.

Desse modo, ainda que contribua pouco, revelo aqui que estou na mesma situação de 99% dos brasileiros, embora apenas uma pequena minoria admita: não sei como o vírus age, e nem porque começaram a morrer pessoas que não fazem parte do grupo de risco.

Como todo ignorante com certa humildade, tento seguir as recomendações de quem é mais preparado que eu: lavo bem as mãos, uso máscara e evito bater perna por aí sem necessidade. Sei que isso não me torna imune à contaminação, mas é o que dá pra fazer com o que consegui aprender, até aqui, através de variadas fontes de informações.

Sinceramente, tem horas que bate o desânimo, quando leio que tão cedo essa tragédia humanitária não vai ter fim. Pelo menos uma coisa me traz algum alívio: quando começou a pandemia, eu já recebia a garantia de especialistas de que somente uma pequena minoria (menos de 3% da população) iria morrer.

A confirmação desta estatística, no entanto, tem pouco valor para quem perdeu um entre querido ou um amigo próximo. Ou o paciente que sabe que, uma vez infectado, não há garantia de que ele não estará na pequena mas assustadora lista de “marcados para morrer”.

Sim, porque ao mesmo tempo em que esta previsão menos catastrófica se confirma, aquela outra, segundo a qual apenas idosos e portadores de doenças pré-existentes iriam para a cova, se desfez diante dos nossos olhos ao longo desses últimos meses.

Recentemente, vi pessoas jovens e sem comorbidades morrendo na luta contra esta doença, e idosos fumantes (alguns até diabéticos) sobrevivendo sem sequer uma internação. E aí, admito a ignorância ainda mais aguda: nem quando me explicam com muita calma eu consigo entender o que leva a desfechos tão imprevisíveis.

Estamos todos sofrendo, e talvez sejamos obrigados a nos sacrificar por mais algum tempo. Existe a possibilidade de vermos empresas falindo, mais amigos morrendo e alguns chegando à indignidade de passar fome, não por vagabundagem, mas porque a vida se tornará realmente muito mais dura.

A você, meu amigo, que está lutando em meio a toda essa desolação, fazendo de tudo para manter a esperança, sem a histeria daqueles debates intermináveis sobre os responsáveis e culpados, minha solidariedade e minha oração solitária e triste, direto aqui do isolamento forçado. Que Deus cuide de todos nós!

Dimas Ferreira é editor do FOLHA DO SUL ON LINE

Fonte: FOLHADOSULONLINE.COM.BR