Siamesa rondoniense de 1 ano, que nasceu unida à irmã pelo tórax, deixa hospital pela primeira vez: “Parecia impossível”

Sara, 1 ano, foi a primeira a receber alta, em abril. Nesta quarta-feira (22), foi a vez da irmã, Eloá. As gêmeas siamesas nasceram em São Paulo, em setembro do ano passado. Após a cirurgia de separação, finalmente, as duas poderão se reunir em casa, em Rondônia, pela primeira vez. “Era algo que parecia impossível no início, mas quando Deus quer, nada é impossível”, disse o pai

“Dia mais do que sonhado e ‘pra lá’ de especial. O milagre da alta da nossa guerreira Eloá chegou”, anunciou o pai, Vanderson Maia, em suas redes sociais. Ele e a esposa, Jaqueline Camer, que são de Alvorada do Oeste, interior de Rondônia, há 1 ano, revezavam-se entre a cidade natal e a capital paulista, onde as meninas estavam internadas.

As irmãs siamesas Sara e Eloá nasceram no dia 23 de setembro de 2020, unidas pelo tórax. Elas foram separadas em dezembro, durante uma cirurgia de 8 horas no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Desde então, foram diversos tratamentos e cirurgias. Sara recebeu alta primeiro, em abril deste ano. Já Eloá saiu do hospital pela primeira vez na quarta-feira (22). Segundo o pai, que está em Rondônia com Sara e o filho mais velho, a esposa e a filha já embarcaram rumo à casa da família.

“Elas vão chegar no aeroporto de Rondônia esta tarde. Depois, Eloá fará uma estabilização na UTI de Ouro Preto do Oeste, cidade vizinha. Ela deve ficar lá dois dias e, no fim de semana, finalmente virá para casa”, disse.

No entanto, a menina ainda necessitará de ventilação mecânica, pois não consegue respirar sozinha. “Por isso, teremos um serviço de home care. A expectativa é que isso dure de 1 ano e meio a dois anos até ela passar por uma nova cirurgia de correção no coração. Eloá colocará uma prótese para proteger seu coraçãozinho”, explicou o pai à CRESCER.

Apesar das dificuldades, a família está feliz e confiante na recuperação da filha. “A expectativa é grande! Era algo que parecia impossível para os médicos no início, mas quando Deus quer, nada é impossível. A primeira ‘graça’ foi a alta da Sara, em 12 de abril. Ela está bem, não tem doença cardíaca, mas a cada dois meses, a levamos para acompanhamento em São Paulo. Agora, estamos na expectativa pela Lolô, que já teve três paradas cardíacas recentemente e, por isso, precisou de uma traqueotosmia. Depois de tudo o que ela passou, vamos somente abraçá-la. É uma menininha guerreira, que merece muitas bênçãos, pois superou todas as expectativas”, disse, orgulhoso.

“A jornada está longe de terminar, mas, aos poucos, vamos nos adaptando à nova realidade. Tudo o que mais queríamos era ter as duas em casa. Lutamos por isso, então, é muito gratificante”, completou ele.

Relembre a história

Vanderson, que é técnico em informática, e a esposa, Jacqueline, saíram de Alvorada do Oeste, interior de Rondônia, rumo à capital paulista em busca de atendimento personalizado ainda na gravidez.

Na época, o casal ficou na casa de amigos e criou uma vaquinha online na tentativa de arrecadar dinheiro para ajudar no tratamento e nas despesas.

Os dois, que também são pais de Victor, 10 anos, receberam a notícia de que as filhas eram siamesas durante um ultrassom de rotina.

Sara e Eloá nasceram de 35 semanas, em São Paulo, em setembro do ano passado, unidas pela barriga — do tórax ao umbigo e compartilhavam o fígado e uma válvula do coração.

A tão esperada cirurgia de separação aconteceu em dezembro e foi um sucesso. “Data marcante para ciência e para todos que acreditam em milagres”, disse o pai, na época, à CRESCER.

No entanto, mesmo separadas, as pequenas passaram por diversas cirurgias e tratamentos. “Existiam muitos riscos pós-cirúrgicos na fase de recuperação e cicatrização, tivemos que esperar para ver como o organismo delas iria reagir”, lembra. Depois disso, foram meses de UTI.

Sara receu alta em abril e, agora, finalmente, Eloá também está indo para casa. “Graças a Deus, sempre recebemos muito apoio. Ainda mantemos a vaquinha online, que tem nos ajudado muito com todos os gastos financeiros, que são muitos”, disse Vanderson.

“Nossa guerreira terá a oportunidade de conhecer o mundo fora do hospital após um ano de internação, muitas batalhas vencidas, muitas graças alcançadas e desafios superados”, finalizou.

Fonte: Revista Crescer