Freepik/reproduçãoMenos tempo sentada pode reduzir riscos na gravidez; entenda
Passar muitas horas sentada pode representar mais do que desconforto ou cansaço para quem está grávida.
Um estudo publicado no JAMA (Journal of the American Medical Association) aponta que o tempo excessivo nessa posição está associado a um risco maior de complicações durante a gestação, entre elas hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia.
A pesquisa acompanhou 470 gestantes por meio de sensores capazes de registrar os movimentos realizados ao longo do dia. Entre as participantes que permaneciam sentadas por mais de 10 horas diariamente, o risco de intercorrências chegou a 42%. Já entre aquelas que passavam menos tempo nessa posição, o índice foi de 19%.
O resultado chama atenção justamente por não exigir uma mudança radical na rotina. Levantar-se com frequência, caminhar pequenas distâncias e evitar longos períodos consecutivos sentada são atitudes que podem contribuir para reduzir o sedentarismo durante a gravidez.
A descoberta reforça uma questão importante do acompanhamento pré-natal: a prevenção também passa pelos hábitos cotidianos. Além da movimentação, o cuidado com a saúde materna e fetal depende de uma avaliação que acompanhe diferentes aspectos da gestação.
Pré-natal ajuda a identificar alterações
Para Martha Calvente, ginecologista e obstetra especialista em medicina fetal do Sérgio Franco e da CDPI, marcas da Dasa no Rio de Janeiro, exames laboratoriais e de imagem têm funções complementares no acompanhamento.
“Assim como o estudo comprova que pequenos hábitos evitam complicações como a hipertensão gestacional, o ultrassom obstétrico com Doppler e os exames de medicina fetal nos permitem monitorar a circulação placentária e o crescimento do bebê em tempo real. Identificar precocemente alterações no fluxo sanguíneo fetal ou na pressão arterial da mãe nos dá a janela ideal para intervir preventivamente e proteger a gestação”, destaca.
O acompanhamento pode incluir hemograma, glicemia, ferritina, avaliação da tireoide e sorologias, além de ultrassonografias indicadas conforme a fase da gravidez. A combinação dessas avaliações permite observar tanto as condições de saúde da gestante quanto o desenvolvimento do bebê.
Genética também entra no cuidado
A investigação de possíveis alterações cromossômicas é outro recurso disponível durante a gestação. O Teste Pré-Natal Não Invasivo (NIPT), feito a partir de uma amostra de sangue materno, analisa fragmentos de DNA fetal presentes na circulação e estima o risco para algumas alterações cromossômicas.
Entre as condições avaliadas estão as síndromes de Down, Edwards e Patau, além de alterações relacionadas aos cromossomos sexuais.
“O teste é muito preciso e 100% seguro, não invasivo, sem nenhum risco de abortamento. Com ele, os pais conseguem uma resposta precisa e mais rápida. No caso de risco elevado para alguma alteração, terão mais tempo para realizar exames complementares confirmatórios e para planejar os cuidados necessários para o bebê, buscar informação, e cuidar da própria saúde mental diante de um cenário diferente do planejado. Vale ressaltar que, em cerca de 50% dos casos de risco elevado identificados, não existia nenhum histórico familiar prévio conhecido”, afirma Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica do Lustosa.
A avaliação genética também pode ocorrer antes da gravidez. O Painel de Portadores (PCGT), por exemplo, investiga se o casal possui determinadas mutações relacionadas a doenças hereditárias recessivas e pode auxiliar no planejamento reprodutivo.
Vacinas ampliam proteção
A vacinação é mais uma medida preventiva durante a gestação. Além de proteger a mulher contra determinadas infecções, alguns imunizantes permitem a passagem de anticorpos pela placenta, ajudando a proteger o bebê nos primeiros meses após o nascimento.
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O calendário indicado para gestantes inclui vacinas como influenza, dTpa, hepatite B e Covid-19. A imunização contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) também passou a fazer parte das estratégias de proteção do bebê.
“A imunização contra o VSR aplicada no terceiro trimestre de gravidez transfere anticorpos vitais para o bebê, reduzindo drasticamente o risco de internações por bronquiolite e pneumonia grave nos primeiros seis meses de vida. Vacinar a gestante é, literalmente, proteger o recém-nascido antes mesmo do seu primeiro respiro”, orienta Luísa Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein.
Atenção continua após o parto
O acompanhamento da saúde da criança também começa nos primeiros dias de vida. O teste do pezinho, realizado idealmente entre 24 e 48 horas após o nascimento, é utilizado para rastrear doenças que podem não apresentar sintomas logo no início.
Segundo Gustavo Guida, geneticista da Dasa Genômica e do Sérgio Franco, a identificação antecipada pode fazer diferença no tratamento de determinadas condições.
“Muitas condições detectadas, como a fenilcetonúria e a acidúria glutárica, que afetam a forma como o organismo processa certos aminoácidos, não dão sinais aparentes nas primeiras semanas de vida, mas começam a causar danos neurológicos ou físicos permanentes assim que a criança começa a se alimentar ou a crescer. Com o diagnóstico precoce, o tratamento começa imediatamente, e o paciente pode se desenvolver com mais qualidade de vida”, argumenta.
Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

